WikiLeaks se corrompeu pelo poder, diz ex-colaborador

Um livro revelador de um ex-funcionário do WikiLeaks caracteriza o fundador e editor-chefe do site que vaza documentos, Julian Assange, como um "imperador", que chegou a se converter no tipo de figura pública que afirma combater. Daniel Domscheit-Berg, ex-porta-voz do WikiLeaks, que deixou o site após uma dura disputa com Assange, fala de sua euforia pelo espetacular sucesso do projeto, mas também sua desilusão com um líder que qualifica como delirante e ansioso por poder.

AE, Agência Estado

10 de fevereiro de 2011 | 16h12

A Associated Press analisou um exemplar em alemão do livro "Dentro do WikiLeaks: minha história com Julian Assange no site mais perigoso do mundo", antes de sua distribuição, amanhã, para 16 países. Domscheit-Berg apresentou o livro hoje, em entrevista coletiva.

"O WikiLeaks converteu desconhecidos obesos da informática, cuja inteligência de outro modo não haveria se destacado em nada, em figuras públicas que impuseram temor em políticos, diretores de empresas, chefes militares em todo o mundo", escreveu ele em seu livro.

Apesar disso, Domscheit-Berg, que no mês passado lançou um site rival chamado OpenLeaks, também relata a piora das relações. A missão original do WikiLeaks de "controlar o poder executado a portas fechadas e criar transparência onde esta se negava" se deteriorou até chegar a uma situação na qual o grupo "gradualmente foi se corrompendo pelo poder e o segredo", afirma a obra.

Houve disputas por questões de dinheiro, falta de transparência e por Assange acreditar em teorias conspiratórias, diz o ex-colega. Assange estava convencido de que "não estaríamos seguros caminhando pela rua, que nosso correio e maletas seriam radiografados, que tínhamos de passar para a clandestinidade... e que necessitávamos de coletes à prova de balas", afirma o livro.

A ruptura entre os dois ocorreu em setembro, quando Domscheit-Berg questionou as qualidades de liderança de Assange. O ex-porta-voz, que então se apresentava como Daniel Schmitt, afirma que foi a rebelião que lhe rendeu a expulsão do WikiLeaks, algo que Assange negou publicamente.

"Um líder se comunica e inspira confiança. Você está fazendo exatamente o contrário. Se comporta como uma espécie de imperador ou traficante de escravos", recorda Domscheit-Berg, citando o último diálogo virtual dele com Assange. O atual porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, não quis comentar o caso. As informações são da Associated Press.

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