William vai às Malvinas e irrita Argentina

O príncipe William, neto da rainha Elisabeth II, desembarcará nas Malvinas entre fevereiro e março para participar de treinamento em uma base britânica construída após a Guerra das Malvinas. A presença do príncipe irritou os argentinos, que reivindicam a soberania das ilhas.

BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h08

O diretor do Departamento das Malvinas da chancelaria argentina, Sebastián Brugo Marcó, declarou que existe um "conteúdo político" nas operações militares britânicas, já que "o príncipe forma parte da família real".

Parlamentares em Buenos Aires protestaram contra a visita de William. O deputado Alfredo Atanassof, de oposição, disse que a presença do príncipe tem uma "importância política" que, somada às manobras militares, "constituem uma nova onda de provocações da Grã-Bretanha no Atlântico Sul".

Em Londres, parlamentares britânicos responderam que a visita do príncipe não é um ato de provocação já que estará em "solo britânico". O general David Richards afirmou que o treinamento é "rotina" para qualquer piloto da RAF, como é o caso do príncipe.

A visita de William coincide com os 30 anos do desembarque argentino nas Malvinas. Nos últimos anos quatro anos, o governo da presidente Cristina Kirchner desferiu uma intensa ofensiva diplomática para pressionar Londres e tentar reaver as ilhas.

A tensão crescente entre os dois países levou o embaixador argentino na ONU, Jorge Arguello - recentemente designado embaixador em Washington - a pedir um boicote às lulas das Malvinas. O prato típico das ilhas é servido em restaurantes de todo o mundo.

"A última versão do colonialismo britânico pode ser encontrada agora nas lulas", disse Arguello. Segundo ele, os moluscos são levados "ilegalmente" de águas argentinas. "Agora que todos sabem o que há por trás de um prato de lulas das Malvinas, pensem duas vezes antes de pedi-lo ao garçom", disse o diplomata argentino. / A.P.

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