REUTERS/Mike Hutchings
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Winnie Mandela teve trajetória marcada por polêmicas durante e depois do apartheid

Ex-mulher de Nelson Mandela foi acusada de incentivar protestos violentos durante prisão do marido e de fraude e corrupção depois da redemocratização da África do Sul

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 17h38

JOHANNESBURGO - Morta nesta segunda-feira, 2, aos 81 anos, a ativista antiapartheid Winnie Mandela, mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, é ainda uma figura controvertida na África do Sul, em virtude de sua atuação política durante e depois do apartheid

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Descrita por muitos sul-africanos como “Mãe da Nação”, ela foi casada com Mandela durante entre 1958 e 1996, período que abarcou os 27 anos em que o ex-presidente esteve preso. “Winnie manteve a memória de Nelson Mandela viva durante o cárcere e ajudou na luta pela Justiça na África do Sul”, disse a família em nota. 

Winnie Mandela chegou a ser presa durante o apartheid e confinada à solitária durante o regime de segregação racial. Anos depois, ainda sob o governo dos brancos, foi assediada constantemente pela polícia e impedida de se reunir com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. 

Ao retornar aos poucos à vida pública, já na reta final do apartheid, em 1986, defendeu em um discurso o fim de protestos pacíficos e apoiou a execução extrajudicial de informantes policiais. Anos depois, em 1997, ela teve de testemunhar a uma comissão da verdade sobre esses fatos. 

Com a redemocratização, Winnie se elegeu deputada e subiu na burocracia do Congresso Nacional Africano (CNA), chegando a ocupar ministérios e a estar entre os cinco políticos mais importantes do país. Ela foi acusada, depois de se tornar uma representante eleita, de fraude e corrupção.

Winnie e Mandela se separaram em 1996, em meio a acusações de infidelidade da parte dela. Nos anos finais da vida de Mandela, no entanto, os dois reconstruíram uma relação amistosa. Mãe de dois de seus filhos, ela travou disputas na Justiça pela herança do ex-marido./ AP

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