Brandon Bell/Getty Images/AFP
Brandon Bell/Getty Images/AFP

Wisconsin tem 2ª noite de protestos após polícia disparar sete tiros em homem negro pelas costas

Manifestantes saíram as ruas para protestar contra o caso de violência policial contra Jacob Blake; família da vítima disse que ele teve melhora no quadro de saúde

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 08h30

WASHINGTON - Manifestantes entraram em confronto com a polícia na segunda noite de protestos contra a violência policial no Estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Na noite de segunda-feira, 24, centenas de pessoas furaram o toque de recolher na cidade de Kenosha para participar do ato pelo caso de Jacob Blake.

O homem negro de 29 anos baleado por policiais brancos durante uma abordagem no último domingo, 23. Imagens gravadas na vizinhança mostram o momento em que Blake se dirige ao seu carro, seguido de perto por dois policiais com armas em punho. Quando ele entra no carro, um dos policiais atira sete vezes. Os três filhos de Blake estavam no veículo.

Protestos eclodiram ainda na noite de domingo, quando as imagens da abordagem ganharam as redes sociais. A hashtag "SETE TIROS" foi um dos assuntos mais comentados do Twitter, inclusive no Brasil.

Após os protestos do domingo, a polícia decretou um toque de recolher entre 20h de segunda-feira e 07h de terça-feira, o que não foi suficiente para conter os manifestantes.

A polícia antidistúrbios foi convocada e usou gás lacrimogêneo contra manifestantes, que responderam arremessando garrafas d'água e fogos de artifício em direção aos policiais. Horas antes dos confrontos, centenas de manifestantes gritavam diante dos policiais: "Sem justiça, não há paz!" e "Diga o nome dele, Jacob Blake".

A imprensa local informou durante a tarde que a família de Blake indicou que o estado de saúde da vítima melhorou após uma cirurgia em um hospital de Milwaukee, 40 km ao norte da cidade, para onde foi levado de avião.

Como aconteceu com George Floyd, o afro-americano de 46 anos que morreu asfixiado em 25 de maio quando um policial branco ajoelhou por vários minutos em seu pescoço, a tentativa de detenção de Blake foi filmada por uma testemunha e o vídeo viralizou nas redes sociais.

As autoridades afirmaram que dois policiais foram suspensos e uma investigação foi iniciada após os distúrbios de domingo, quando vários veículos foram incendiados os arredores de um tribunal foram destruídos.

"Se eu matasse alguém, me condenariam e me considerariam uma assassina. Acho que deveria acontecer o mesmo para a polícia", afirmou Sherese Lott, uma mulher de 37 anos indignada com a brutalidade policial.

"Quero que meus filhos vejam como acontece a mudança e estou aqui para que nunca aconteça algo assim com eles", disse Michelle, que não revelou o sobrenome, ao participar no protesto ao lado do marido Kalvin e dos filhos, de oito e sete anos.

O governador de Wisconsin, Tony Evers, disse que enviaria 125 membros da Guarda Nacional à cidade para manter a ordem. 

"Devemos estar à altura deste movimento e do momento e enfrentá-lo com nossa empatia, nossa humanidade e um férreo compromisso para interromper o ciclo de racismo e preconceito sistêmico que devasta as famílias e comunidades negras", afirmou, antes de pedir à população que organize manifestações pacíficas.

A poderosa American Civil Liberties Union (ACLU) denunciou o que aconteceu a Blake como "mais um ato nojento de brutalidade policial". 

"O fato de que uma violência policial como essa - os assassinatos de Breonna Taylor, George Floyd, Eric Garner e muitos outros - tenha se tornado algo comum mostra que a própria instituição policial americana está podre em sua essência", observou a ACLU no Twitter./ AFP

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