WSJ: Portugal e Espanha estreitam laços com AL

Líderes da Espanha e de Portugal buscaram neste fim de semana fortalecer os laços comerciais com suas ex-colônias, em um esforço para impulsionar as economias em recessão. Em um encontro anual de importantes líderes políticos da América Latina e da Península Ibérica, representantes de Portugal e Espanha pediram que os países latino-americanos os ajudem a sair da crise.

Agência Estado

18 de novembro de 2012 | 20h33

Autoridades concordaram em tonar os projetos de infraestrutura mais acessíveis para investimentos privados, encorajando parcerias público-privadas na região. Essa pode ser uma boa oportunidade para Espanha, cujas empresas de construção estão entre as maiores da Europa.

Os líderes também disseram que reduzirão a burocracia para companhias pequenas e médias interessadas em fazer negócios fora do país, assim como estabelecerão um centro de arbitragem para ajudar a resolver disputas de negócios entre empresas da América Latina, da Espanha e de Portugal.

Ambos os países europeus estão mergulhados na pior crise econômica em décadas. A taxa de desemprego atingiu um patamar recorde de 25% na Espanha e 16% em Portugal. Os governos esperam que suas economias continuem em recessão até 2013. Medidas de austeridade desencadearam uma revolta popular nos dois países. Na última sexta-feira, a polícia disparou balas de borracha contra trabalhadores de estaleiros que bloquearam uma ponte em Cádis para protestar contra demissões. O confronto sucedeu greves em toda a Europa na quarta-feira.

Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina crescerá 3,2% neste ano e 4% em 2013, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil e na Colômbia, a dívida pública representa cerca de 40% do PIB, menos da metade do endividamento de Portugal e Espanha. "A América Latina está vivendo um verdadeiro renascimento", disse o presidente chileno, Sebastián Piñera.

Alguns líderes latino-americanos criticaram Espanha e Portugal por implementarem severos programas de austeridade para lidar com o aumento da dívida externa, o enorme déficit do orçamento e a dolorosa depreciação cambial. "É errado acreditar que uma consolidação fiscal coletiva é benéfica", disse a presidente brasileira, Dilma Roussef. "A confiança não pode ser construída apenas pelo sacrifício."

O premiê português, Pedro Passos Coelho, rebateu que as medidas de austeridade eram o único caminho para o crescimento econômico. Ele insistiu que os países pesadamente endividados só conseguirão recuperar a confiança dos investidores estrangeiros se forem capazes de controlar suas finanças.

Enfrentando um colapso no consumo doméstico, as empresas espanholas e portuguesas estão dependendo cada vez mais de suas unidades na América Latina para gerar caixa e lucrar. O banco Santander deve metade do lucro obtido em 2011 à América Latina, enquanto mais de 60% dos clientes da Portugal Telecom SA agora estão no Brasil.

Contudo, um novo fenômeno está surgindo na América Latina, que tem basicamente só recebido investimento estrangeiro. Capitalizadas e com acesso fácil ao crédito, as companhias latino-americanas começaram a abocanhar ativos na Europa. Até agora em 2012, as empresas da região anunciaram compras de ativos europeus no valor de mais de 10 bilhões de euros (US$ 12,8 bilhões), mostraram dados da Dealogic. A quantia é de longe a mais alta desde que as transações tiveram início em 1995.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afirmou durante a cúpula acolher com agrado tais investimentos. As companhias transnacionais da América Latina "são uma realidade, e estão prontas para conquistar outros mercados como Espanha e Europa", disse ele. "Suas empresas encontrarão um solo fértil para a criação de riqueza que beneficiará a todos nós", disse Rajoy. As informações são da Dow Jones.

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