Hector Retamal/AFP
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Wuhan, epicentro da covid-19, deixa doença que causou 1 milhão de mortes para trás

No início da pandemia, imagens fantasmagóricas da cidade confinada e isolada rodaram o mundo; hoje, China afirma ter derrotado o vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 04h00

WUHAN, CHINA - Wuhan, a cidade chinesa que há nove meses era o epicentro da covid-19, deixou o vírus para trás e renasceu, mas testemunha com desolação o balanço de um milhão de mortes que a pandemia já provocou em todo o planeta.

Na cidade, submetida a um duro confinamento no início do ano, o orgulho de ter vencido a doença se confunde com a tristeza causada pelo trágico balanço.

"Um milhão de pessoas, falando em termos relativos à população global, pode não ser muito", diz Hu Lingquan, cientista que mora em Wuhan. "Mas estamos falando de pessoas reais, de pessoas que tinham família."

Esta manhã, em Wuhan, as crianças iam para a escola, em meio ao trânsito intenso da cidade, que quase voltou ao normal.

No início de 2020, as imagens fantasmagóricas e sombrias da cidade confinada e isolada rodaram o mundo, que ainda mal imaginava a pandemia que viria.

Hoje, a China afirma ter derrotado o vírus, enquanto de Londres a Melbourne, passando por Madri e Tel Aviv, as pessoas voltam a se confinar.

Após meses de medidas duras, a economia está se recuperando na China, com a reabertura de fábricas e os consumidores de volta às lojas. 

A própria Wuhan, considerada o "marco zero" da epidemia, agora se orgulha de seu retorno à normalidade, com grandes festas em piscinas ou parques de diversão lotados.

Desde maio não são registrados novos casos na cidade, e muitos de seus habitantes criticam agora a resposta global à epidemia, enquanto aqueles que sofreram as devastadoras consequências econômicas e sociais da crise costumam responsabilizar a China por ela.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o número de vítimas da pandemia pode continuar a aumentar até que uma vacina eficaz seja encontrada e ela possa ser distribuída globalmente.

"Quando a epidemia estourou, nunca imaginei que o número de mortes pudesse ser tão alto", afirmou à Agência France Press Guo Jing, outro residente de Wuhan.

"Superou tudo o que se pode imaginar e continua subindo", acrescentou.

Enquanto isso, em Wuhan, a maioria das máscaras estava pendurada no queixo de seus usuários, ao invés de cobrir a boca e o nariz, enquanto os shoppings estavam lotados.

"Wuhan renasceu", disse An An, residente na cidade, à Agência France Press. 

"A vida voltou a ser o que era antes. Todos nós que moramos em Wuhan nos sentimos bem." /AFP

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