Xanana Gusmão diz que não abandonará a presidência do Timor

O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, disse hoje a milhares de manifestantes que não abandonará seu posto, apesar das ameaças nesse sentido caso o primeiro-ministro Mari Alkatiri não renunciasse. Gusmão se dirigiu aos manifestantes que durante o dia todo estavam concentrados perante a sede do governo exigindo a demissão de Alkatiri. Gusmão disse à multidão que cumprirá suas obrigações com base nas exigências do povo.O carismático Gusmão, que dirigiu a luta pela independência do Timor Leste e é o primeiro presidente do país desde seu nascimento como Estado, em 2002, também assegurou a seus seguidores que ganhará a queda-de-braço que mantém com o primeiro-ministro, considerado culpado pela crise.A pressão para que Alkatiri se demita aumentou nesta sexta-feira e milhares de manifestantes se concentraram no centro de Dili para exigir sua saída do governo.Os manifestantes chegaram a bordo de ônibus e caminhões, muitos procedentes dos arredores da capital, e em frente ao palácio do governo de Dili gritaram contra o primeiro-ministro Alkatiri, acusado de "criminoso e terrorista", segundo a agência australiana "AAP".Gusmão manteve reuniões durante o dia com o líder da oposição, Mario Carrascalão; com o ministro da Defesa e Assuntos Exteriores, José Ramos Horta; e com o representante especial do secretário-geral da ONU no país, Sukehiro Hasegawa. Todos lhe pediram que não abandonasse seu cargo.O bispo Alberto Ricardo da Silva disse, após reunir-se com o presidente, que Gusmão tinha prometido reconsiderar a situação, mas que não tinha certeza se desistiria da ameaça de demissão.Gusmão pediu a demissão de Alkatiri na terça-feira, depois que a televisão australiana divulgou que o ex-ministro timorense do Interior, Rogelio Lobato, armou um grupo de civis com o objetivo de eliminar os rivais políticos do primeiro-ministro, e que o fez cumprindo ordens deste.A opinião pública timorense, incluindo a influente Igreja Católica, culpa Alkatiri pela onda de violência em Dili, a capital do Timor, após a demissão de 600 militares - um terço de todos os efetivos - em março passado, por manifestarem-se para exigir o fim da discriminação étnica.

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