Xeque que criticou mulheres sem véu pede julgamento justo

O mufti da Austrália, o xeque Taj ad-Din al-Hilaly, pediu nesta sexta-feira a formação de um júri imparcial de australianos para decidir se ele incitou à violação com o seu sermão, no começo do Ramadã, que falava dos riscos que corriam as mulheres sem "hiyab" (véu islâmico). "Se confirmarem que sou culpado, eu mesmo vou me impor três penas: abandonar atividades e cargos religiosos, fechar a boca durante seis meses e fazer serviços sociais", prometeu Hilaly, durante um discurso na mesquita de Lakemba, em Sydney. O serviço social prometido pelo mufti consiste em 600 horas de trabalho em qualquer associação australiana de mulheres. Em seu comunicado em árabe, Hilaly, que descartou uma renúncia ao cargo, opinou que "qualquer pessoa que justifique ou incite o crime de violação sob qualquer circunstância ou que degrade a mulher australiana por sua forma de vestir é um ignorante e um louco, que não merece ocupar uma posição de responsabilidade". O líder islâmico atribuiu a controvérsia a uma tradução errada do seu sermão do Ramadã, pronunciado em árabe. A versão em inglês publicada pelo jornal "The Australian" dizia: "se você põe carne sem cobrir na rua, ou no jardim, ou no parque, ou no pátio, e os gatos vêm e comem, de quem é a culpa, dos gatos ou da carne descoberta? O problema é a carne descoberta. Se a mulher tivesse ficado em seu quarto, em sua casa, com seu ´hiyab´, não haveria problema". A Associação de Muçulmanos Libaneses, grupo que reúne os principais clérigos muçulmanos da Austrália, proibiu Hilaly de pronunciar sermões em sua mesquita por três meses.

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