Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Xi diz que China nunca buscará 'hegemonia, expansão ou esferas de influência'

Xi usou seu pronunciamento para se apresentar como o representante do mundo em desenvolvimento e fazer gestos em direção aos países da África, onde a China tem investimentos e interesses econômicos crescentes

Cláudia Trevisan Enviada especial, Nova York, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2015 | 13h23

NOVA YORK - O presidente da China, Xi Jinping, disse na manhã desta segunda-feira, 28, na Organização das Nações Unidas (ONU) que seu país nunca buscará hegemonia, expansão ou esferas de influência. “O futuro do mundo deve ser moldado por todos os países. Todos os países são iguais”, declarou o presidente da segunda maior economia do mundo. Xi também defendeu a não-interferência em assuntos internos de outras nações, uma resposta indireta à defesa de democracia e direitos humanos feita mais cedo no mesmo plenário pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

Xi usou seu pronunciamento para se apresentar como o representante do mundo em desenvolvimento e fazer gestos em direção aos países da África, onde a China tem investimentos e interesses econômicos crescentes. “O voto da China nas Nações Unidas pertencerá sempre aos países em desenvolvimento”, disse Xi.

O líder chinês defendeu a ampliação do poder das nações em desenvolvimento na ONU e nos demais organismos multilaterais, fazendo referência expressa aos representantes da África. E convidou todos a embarcarem “no trem rápido de desenvolvimento da China”. A sugestão chega no momento em que a segunda maior economia do mundo tropeça e registra o menor ritmo de crescimento em décadas.

Como Obama, Xi também fez a defesa do sistema internacional organizado em torno da ONU. “Devemos ser comprometidos com o multilateralismo e não com o unilateralismo”, afirmou. “Devemos resolver disputas com diálogos e consultas.” 

A defesa contradiz postura da própria China em conflitos territoriais no Mar do Sul da China, nos quais Pequim rejeita pretensões de outros países sobre territórios sob disputa.

Depois de Obama defender o capitalismo, Xi fez referência à crise financeira de 2008 e afirmou que a economia deve funcionar com a “mão invisível” do mercado e a “mão visível” do Estado, dentro de limites estabelecidos pelo governo.

Mais conteúdo sobre:
Assembleia-Geral Xi Jinping

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.