Mass Communication Specialist 3rd Class Kurtis A. Hatcher/U.S. Navy via AP
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Xi e Trump falam por telefone sobre Taiwan, Coreia do Norte e G-20

Conversa entre presidentes de China e EUA aconteceu depois de manobra realizada pela Marinha americana perto de ilha controlada por Pequim, medida considerada uma 'séria provocação política e militar' pelos chineses

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 10h35

PEQUIM - Os presidentes da China, Xi Jinping, e Estados Unidos, Donald Trump, conversaram nesta segunda-feira, 3, por telefone sobre Taiwan, Coreia do Norte e a próxima cúpula de líderes do G-20, informou a televisão oficial chinesa.  Xi transmitiu a Trump sua confiança em que Washington mantenha o seu respeito ao princípio de uma só China, depois que na semana passada o Departamento de Estado dos Estados Unidos autorizou a venda de armas a Taiwan no valor de US$ 1,4 bilhão.

O presidente chinês pediu a Trump para manejar com cautela e de forma adequada as questões relacionadas com Taiwan, segundo a fonte estatal. Ambos falaram também sobre a Coreia do Norte e reafirmaram seu compromisso para se obter a desnuclearização da Península Coreana.

Xi e Trump também trocaram pontos de vista sobre a cúpula de líderes do G-20 que acontecerá na sexta-feira e no sábado em Hamburgo, na Alemanha. O presidente chinês destacou que Pequim e Washington deveriam fazer esforços conjuntos para que as reuniões no G-20 gerem mais resultados na revitalização da economia global. 

Momento de tensão

O telefonema entre os dois líderes aconteceu em um momento de tensão após a presença de um navio americano nas imediações de uma ilha controlada por Pequim. Segundo comunicado da Casa Branca, o dois presidente não trataram, porém, sobre o incidente marítimo. A manobra marítima realizada pela Marinha americana no domingo já estava prevista e parece confirmar o esfriamento nas relações entre os países.

O destroier "USS Stethem" passou a menos de 12 milhas náuticas (22 km) da ilha Triton, que faz parte do arquipélago das ilhas Paracel, território que também é reivindicado por Taiwan e pelo Vietnã, indicou em Washington um funcionário do governo americano.

A China denunciou imediatamente "uma séria provocação política e militar". Pequim respondeu com o envio de embarcações militares e aviões de combate como medida de advertência contra o navio americano, indicou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, em uma declaração difundida no domingo pela agência estatal Xinhua.

"A China urge energicamente à parte americana colocar fim imediatamente a esse tipo de provocação que viola a soberania da China e ameaça sua segurança", indicou o porta-voz da chancelaria, antes de acrescentar que Pequim continuará adotando todas as medidas necessárias para defender a soberania e a segurança nacionais.

A operação que provocou a revolta de Pequim foi a segunda do tipo realizada no Mar da China Meridional desde o início do governo de Donald Trump. A primeira aconteceu em 25 de maio no arquipélago Spratly, mais ao sul.

Pequim reivindica a quase totalidade do Mar da China Meridional, que inclui zonas muito próximas às costas de vários países do sudeste asiático, e ocupa o arquipélago Paracel e várias pequenas ilhas do arquipélago Spratly, que foram ampliados artificialmente para abrigar potenciais bases militares. / EFE e AFP

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