Andy Wong/AP
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Xi Jinping começa seu segundo mandato elogiando a grandeza da nação chinesa

Em seu primeiro discurso após ser reeleito chefe de Estado, o presidente afirmou que apenas mantendo o socialismo com características chinesas o país poderá alcançar seus sonhos

O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 02h35
Atualizado 20 Março 2018 | 09h47

PEQUIM - O presidente da China, Xi Jinping, fez nesta terça-feira, 20, seu primeiro discurso após ser eleito chefe de Estado para um segundo mandato, e elogiou a grandeza da nação chinesa, ressaltando que "com seu espírito de invenção e criatividade ele certamente criará novos milagres".

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Em um discurso de caráter nacionalista diante das 3 mil pessoas presentes no encerramento do plenário anual da Assembleia Nacional Popular, a reunião política mais importante do ano, Xi, de 64 anos, afirmou que "hoje, mais do que nunca, o povo chinês está perto de alcançar seu sonho". "Estou convencido de que se os 1,4 bilhão de chineses mantiverem seu espírito de trabalho árduo, alcançaremos nosso ambicioso objetivo de melhorar a vida da nosso povo", afirmou.

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O presidente disse que a China participou de "batalhas sangrentas" contra invasores, em alusão aos ataques ocidentais do século 19 e à ocupação japonesa da primeira metade do século 20, mas é hoje "uma grande nação cujo orgulho é justificado" e que "avança apesar das dificuldades".

Xi afirmou que apenas mantendo o socialismo com características chinesas a nação poderá alcançar seus sonhos, e ressaltou que o país desfruta de "um ambiente favorável que antes era inimaginável, mas também enfrenta dificuldades e desafios sem precedentes".

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Apesar do tom nacionalista de seu discurso, o líder ressaltou que a China "nunca buscará a hegemonia ou se enrolará no expansionismo", e declarou que "apenas aqueles que estão acostumados a ameaçar, podem ver alguém como uma ameaça", se referindo às vozes no Ocidente que temem o aumento econômico do gigante asiático.

"A magnífica história da nação chinesa está escrita pelo seu povo", insistiu Xi, citando os grandes filósofos do país (Confúcio, Lao-Tsé e Mêncio) e as invenções deste povo, com o papel, bússola, pólvora e imprensa como grandes símbolos da inovação da pátria.

Apelando para outros grupos étnicos na China, Xi afirmou que as 56 nacionalidades do país se uniram para criar "uma grande família", e citou o Palácio de Potala, em Lassa (residência tradicional do Dalai Lama no Tibete) em uma lista de grandes projetos desta civilização, ao lado da Grande Muralha ou da Cidade Proibida. "Somos parte de uma nova era, e para construí-la, se permanecermos unidos, nada pode nos impedir", concluiu ele.

Nos 15 dias de duração do plenário, Xi conseguiu aumentar ainda mais seu poder - muito maior do que seus antecessores na presidência da China -, modificando a Constituição nacional para abolir o limite de dois mandatos do chefe de Estado.

Além disso, ele colocou alguns de seus principais aliados em cargos de máxima responsabilidade, como Wang Qishan, novo vice-presidente do país, e Liu He, que agora responde como vice-primeiro-ministro para assuntos financeiros, desenvolvimento e reforma. / EFE

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