EFE/JEROME FAVRE
EFE/JEROME FAVRE

Xi Jinping chega a Hong Kong e diz que buscará ‘futuro de longo alcance’ para autonomia da cidade

Visita do presidente ocorre em um momento de divisão na região, com manifestantes insatisfeitos com o que veem como uma interferência de Pequim

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 03h15
Atualizado 29 de junho de 2017 | 08h28

HONG KONG - O presidente da China, Xi Jinping, chegou nesta quinta-feira, 29, a Hong Kong, para sua primeira visita ao território como mandatário em razão do 20.º aniversário do retorno do controle da ex-colônia britânica aos chineses. Atualmente, a cidade se encontra muito dividida com relação à influência de Pequim.

"Após nove anos, estou novamente pisando no solo de Hong Kong. Estou muito feliz. Hong Kong terá sempre um lugar no meu coração", disse Xi ao chegar ao Aeroporto de Chek Lap Kok.

Ele afirmou que a China vai trabalhar para garantir um "futuro de longo alcance" para a autonomia de Hong Kong, mas enfrenta uma cidade dividida, com manifestantes insatisfeitos com o que veem como uma interferência de Pequim.

"Nós estamos dispostos a, junto com diferentes setores da sociedade de Hong Kong, olhar para trás no curso incomum de Hong Kong nos últimos 20 anos, tirar conclusões da experiência, olhar para o futuro e garantir que 'Um país, dois sistemas' esteja estável e tenha um futuro de longo alcance", disse Xi.

O avião presidencial pousou por volta do meio-dia (1h em Brasília) no aeroporto de Hong Kong, marcando o início de uma visita que terminará no sábado, com a posse da nova chefe do executivo local, Carrie Lam.

A visita do Xi Jinping ocorre em meio a um grande esquema de segurança. As ruas próximas ao centro de convenções, um gigantesco prédio situado diante do mar na Ilha de Hong Kong que sediará alguns dos eventos programados para a visita, foram cercadas por barreiras de segurança repletas de água, impossíveis de mover por eventuais manifestantes. A polícia anunciou que adotará "medidas de segurança contra terrorismo" para garantir a proteção do presidente chinês.

Na quarta-feira, o líder do movimento estudantil pró-democracia Joshua Wong foi detido durante um protesto contra a visita de Xi. Considerado o rosto do movimento rebelde que surgiu na ex-colônia britânica em 2014, Wong e 20 ativistas protestaram diante de um monumento que simboliza a devolução de Hong Kong à China.

Alguns cidadãos de Hong Kong consideram que os chineses estão reforçando o controle do pequeno território, em particular sobre os meios de comunicação e a liberdade de expressão.

Há 20 anos, a bandeira do Reino Unido deixou de ser hasteada, sob o olhar do príncipe Charles da Inglaterra e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em um local que era uma colônia britânica desde 1841.

Duas décadas depois, alguns cidadãos de Hong Kong consideram que a China está reforçando sua influência política, ignorando o famoso princípio "Um país, dois sistemas", determinado durante a devolução. A ideia garantiria a Hong Kong, em tese até 2047, um regime de liberdades desconhecidas na China continental. / AFP e REUTERS

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