AP Photo/Andy Wong
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Xi se torna o líder mais poderoso da China em 40 anos ao ter nome no estatuto do Partido Comunista

Status o deixa à altura de Mao Tsé-tung; presidente receberá na quarta-feira um novo mandato de cinco anos como secretário-geral

O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 03h20
Atualizado 24 Outubro 2017 | 13h25

PEQUIM - O presidente chinês, Xi Jinping, confirmou nesta terça-feira, 24, o status de governante mais poderoso do país em 40 anos, com a inclusão de seu nome nos estatutos do Partido Comunista da China (PCC), um símbolo que o coloca à altura do fundador do regime, Mao Tsé-tung.

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Xi, de 64 anos, líder do PCC desde o fim de 2012, receberá na quarta-feira um novo mandato de cinco anos como secretário-geral, o cargo supremo na pirâmide do poder chinês. "O pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para a nova era" aparece agora nos estatutos do PCC, o maior partido do mundo, e constitui um "guia de ação" para seus 89 milhões de integrantes.

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Os 2,3 mil delegados do 19.º Congresso do PCC, que está em sessão desde a semana passada e nesta terça-feira organizou a eleição do novo Comitê Central, aprovaram por unanimidade a emenda que inclui o nome de Xi nos estatutos.

Xi Jinping é o primeiro dirigente chinês desde Mao, que governou a China de 1949 até sua morte em 1976, a ver seu nome incluído nos estatutos quando ainda está no poder.

Antes do anúncio, Willy Lam, professor de Política da Universidade Chinesa de Hong Kong, explicou que o status confere a Xi uma autoridade extraordinária. "Terá um status similar ao de Grande Timoneiro, que era o de Mao", completou Lam. "Isto permitiria ser como Mao, líder por toda a vida, enquanto conservar a saúde."

O nome de Deng Xiaoping, que sucedeu Mao no poder e estimulou nos anos 1980 as reformas que transformaram o país na segunda maior potência econômica mundial, foi incluído nos estatutos após sua morte. Os nomes dos dois antecessores de Xi Jinping - Jiang Zemin e Hu Jintao - não aparecem nos estatutos, mas a obra de ambos é mencionada.

Xi presidiu a sessão de encerramento do Congresso, que durou uma semana. Um congressista que leu o anúncio afirmou que os conceitos apresentados serão "um farol para o trabalho do partido". As diretrizes enfatizam o papel central do partido no momento de dirigir todos os âmbitos da vida no país, da economia até o que as pessoas escrevem e falam nas redes sociais.

"Temos de trabalhar sem descanso e seguir adiante na viagem para obter um renascimento da nação chinesa", afirmou Xi no discurso de encerramento.

A agência de notícias oficial Xinhua informou que na quarta-feira serão anunciados os membros do Comitê Central permanente do PCC.

Durante o Congresso, as autoridades mobilizaram um grande dispositivo de segurança, que incluiu o fechamento de áreas comerciais, de casas noturnas a arenas esportivas, com o objetivo de impedir qualquer incidente. Também foram fechadas fábricas, em uma tentativa de conter a poluição.

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Na abertura do Congresso, Xi prometeu "uma nova era" socialista para o país, traçando um panorama até 2050. Em seu discurso, ele apresentou a imagem da China como uma grande potência próspera e respeitada até 2050.

Esta projeção sugere que o PCC continuará aumentando o controle que exerce sobre a sociedade, o que acaba com qualquer esperança de queda na repressão aos direitos humanos. Apesar do crescente poder de Xi Jinping, a composição do Comitê Central será crucial para seus planos.

Xi e o premiê Li Keqiang seguem como membros do Comitê Central, de acordo com uma lista de membros mais destacados divulgada pela Xinhua.

Cinco dos sete principais líderes do PCC, entre eles o chefe anticorrupção Wang Qishan, não estão no novo Comitê Central. Segundo a lista, deixam a cúpula tanto Wang como Zhang Dejiang (presidente do Legislativo chinês), Yu Zhengsheng (à frente da Câmara alta), Liu Yunshan (chefe de propaganda) e Zhang Gaoli (vice-primeiro ministro). / AFP e EFE

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