Xiita radical proclama "revolução" no Iraque

O clérigo xiita Muqtada al-Sadr proclamou uma "revolução" contra as tropas de ocupação lideradas pelos EUA no Iraque e as forças do governo iraquiano, depois de semanas de cessar-fogo na cidade sagrada de Najaf, ao sul de Bagdá. Violentos confrontos entre a milícia de Al-Sadr - as Brigadas Mahdi - e soldados americanos e britânicos deixaram pelo menos 16 mortos e dezenas de feridos em Najaf, Basra e Bagdá. Entre os mortos estão civis e policiais iraquianos e um soldado americano. Um helicóptero dos EUA foi abatido em Najaf. Dois pilotos se feriram.As duas partes se acusaram pelo início do confronto, que se seguiu a vários dias de tensão, durante os quais os militares dos EUA prenderam assessores de Al-Sadr e as brigadas seqüestraram 18 policiais iraquianos. Os combates começaram, segundo as forças americanas e iraquianas, quando a milícia atacou uma delegacia em Najaf. Mas assessores de Al-Sadr acusam os EUA de terem cercado antes a cidade e danificado um minarete do mausoléu do Imã Ali, um dos templos sagrados do xiitismo."Esta é uma revolução contra a força de ocupação até que consigamos independência e democracia", disse pela manhã o porta-voz de Al-Sadr, Ahmed Shaybani, ao Washington Post. Por volta da meia-noite, Al-Sadr reiterou seu compromisso com a trégua firmada em junho, após dois meses de confrontos que deixaram centenas de milicianos mortos. Mas a crise se agravou: a aviação dos EUA bombardeou a milícia no histórico cemitério de Najaf e soldados americanos entraram na área para enfrentá-la.

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