Xiitas, abandonados em 91, relutam em enfrentar Saddam

Atendendo ao apelo feito em 1991 pelo então presidente George Bush, na Primeira Guerra do Golfo, para que os iraquianos tomassem ?o destino em suas mãos?, milhões de xiitas iraquianos rebelaram-se contra Saddam Hussein após o colapso do exército iraquiano no Kuwait, e esperaram pela ajuda dos Estados Unidos. Mas, em cidades como Karbala, Najaf e Nassíria, os xiitas foram deixados para enfrentar Saddam por conta própria. Eles iniciaram uma rebelião e foram ignorados pela coalizão liderada pelos EUA na época. A Guarda Republicana de Saddam esmagou o motim.Desta vez, enquanto as tropas americanas avançam rumo a Bagdá com o objetivo de depor o líder iraquiano, os xiitas das cidades onde a amior parte das batalhas vem sendo travada mostram-se relutantes em atender ao apelo que o filho do primeiro presidente Bush faz.A 3ª Divisão de Infantaria do Exército americano já penetrou o interior xiita do Iraque, mas os jornalistas que acompanham as tropas vêem poucos sinais de boas-vindas por parte dos moradores locais. Alguns iraquianos acenaram, mas a maioria manteve-se impassível.Fora da cidade sagrada xiita de Najaf, ao sul de Karbala, soldados americanos enfrentaram forças iraquianas, na madrugada de domingo para segunda-feira. Mesquitas em Najaf e Karbala são os locais mais sagrados para os iraquianos xiitas, depois das mesquitas da Arábia Saudita. Najaf também é o local da tumba do imã Ali, genro e primo do Profeta Maomé. Xiitas têm a esperança de enterrar seus mortos no mesmo cemitério, o maior do mundo islâmico.Após a derrota do Iraque na guerra de 1991, rebeldes xiitas pediram ajuda política e militar aos EUA na luta contra o regime de Saddam.Abdel Majdi al-Khoei, cujo pai, o aiatolá Abul-Qassim al-Khoei, era o líder espiritual dos xiitas na época, lembra que, a despeito dos repetidos pedidos, os americanos se recusaram a enfrentar a Guarda Republicana, que atacou as cidades xiitas com brutalidade.Cerca de 50.000 pessoas foram mortas; dezenas de milhares foram capturadas, algumas depois mortas em campos de concentração. ?É difícil convencer as pessoas de que os americanos desta vez falam sério e querem se livrar de Saddam?, disse al-Khoei. Veja o especial :

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