Xiitas abandonam negociação com monarquia no Bahrein

Os representantes do Al Wefaq, maior partido político xiita do Bahrein, abandonaram hoje as negociações com a monarquia sunita do país. Dois destacados integrantes da agremiação disseram que a decisão foi tomada por se considerar que o grupo dominante não leva a sério as demandas por mais direitos e liberdade política.

AE, Agência Estado

12 de julho de 2011 | 17h04

Os representantes do Al Wefaq abandonaram o diálogo depois de um delegado sunita ter-se referido à maioria xiita do Bahrein em termos pejorativos, relatou o líder xiita Hadi al-Mosawi. Outro líder do Al Wefaq, Khalil al-Marzooq, disse ter recomendado à cúpula do partido que abandonasse as negociações até que uma decisão final, esperada para a quinta-feira, seja tomada. Al-Marzooq afirmou à Associated Press que a monarquia bareinita não está interessada em promover uma reforma política, o que torna o diálogo insignificante.

O Bahrein é uma pequena nação insular situada no Golfo Pérsico, mas tem grande importância geopolítica. O país sedia a 5.ª Frota da Marinha dos Estados Unidos e é constante foco de atrito entre potências regionais, como a Arábia Saudita e o Irã.

As negociações foram encorajadas por Washington em meio a meses de protestos protagonizados pela maioria xiita contra a monarquia sunita em busca de mais liberdades e direitos. Pelo menos 32 pessoas morreram na violenta repressão das forças do governo aos manifestantes.

Centenas de oposicionistas, além de médicos e advogados, foram presos durante a repressão ou demitidos de empregos públicos. Quarenta e oito médicos e enfermeiras que trataram manifestantes doentes ou feridos na repressão foram acusados de crimes contra o Estado e estão sendo julgados.

O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou em diversas ocasiões os abusos das autoridades do Bahrein contra os manifestantes. As informações são da Associated Press.

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