Xiitas desfilam com armas no Iraque

Milhares de membros de milícias xiitas fortemente armados desfilaram por diversas cidades do Iraque neste sábado enquanto militantes sunitas tomaram duas cidades estratégicas no que pareceu ser uma nova ofensiva na província oeste de Anbar. A captura das cidades de Qaim, na fronteira síria e de Rawah, no rio Eufrates, é mais um golpe contra o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, alvo de descontentamento de sunitas e curdos.

Agência Estado

21 de junho de 2014 | 15h36

Enquanto al-Maliki passa por forte pressão, a exibição do forte armamento possuído pelas milícias xiitas indicou que forças que estão além do controle de Bagdá podem estar forçando o conflito na direção de uma batalha sectária.

Militantes sunitas controlam a cidade de Fallujah em Âmbar e partes de Ramadi desde janeiro. A vasta província de Anbar vai do extremo oeste de Bagdá até a Jordânia e a Síria. A luta em Anbar interrompeu o uso de uma via expressa que ligava Bagdá à fronteira com a Jordânia, uma passagem importante para pessoas e mercadorias.

Em Bagdá, cerca de 20 mil homens em trajes de combate marcharam pelo distrito de Sadr City com rifles, metralhadoras, lançadores múltiplos de foguetes, artilharia de campo e mísseis. Desfiles parecidos ocorreram em cidades ao sul como Amarah e Basra.

Oficiais do exército afirmaram que a milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) e outros rebeldes aliados tomaram a passagem na fronteira com a Síria após um dia de confronto com as tropas iraquianas numa batalha que deixou cerca de 30 soldados iraquianos mortos. Segundo os militares, após a ocupação o trânsito de pessoas entre os dois pises está acontecendo livremente, o que permite que os militantes obtenham armamentos com mais facilidade.

Já o prefeito de Rawah, Hussein AIi al-Aujail, afirmou que militantes capturaram a cidade este sábado. O exército local e a polícia se retiraram quando os militantes tomaram o controle, declarou. De acordo com ele, escritórios do governo foram saqueados na cidade a 275 quilômetros de Bagdá.

Os episódios reforçam a crescente pressão para a formação de um novo governo no Iraque. A Casa Branca, que também defende a saída de Al-Maliki do poder, culpa o primeiro-ministro pela pior crise desde a retirada das tropas norte-americanas do país, no final de 2011. Fonte: Associated Press.

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