Xiitas paquistaneses encerram protestos após 3 dias

Milhares de muçulmanos xiitas encerraram, nesta terça-feira, três dias de protestos no Paquistão, depois de o governo ter lançado uma operação paramilitar contra os militantes responsáveis por um ataque realizado no final de semana que matou 89 pessoas.

AE, Agência Estado

19 de fevereiro de 2013 | 14h45

O manifestantes de Quetta, capital da província do Baluquistão, iniciaram os preparativos para enterrar as vítimas do ataque, depois que líderes xiitas anunciaram o fim do protesto. Parentes das vítimas haviam se recusado a enterrar seus entes queridos até que o Exército tomasse o controle da cidade e lançasse uma operação contra o Lashkar-e-Jhangvi, grupo que assumiu a responsabilidade pelo ataque de sábado.

Os xiitas criticam a polícia e as forças paramilitares, que estão sob o controle do Ministério do Interior em Quetta, por falharem na proteção do grupo minoritário, que representa 20% dos 180 milhões de habitantes do país.

Não há indícios de que o Exército vá assumir o controle da cidade, mas o governo anunciou que forças paramilitares vão iniciar uma operação contra o Lashkar-e-Jhangvi e outros grupos militantes na noite de segunda-feira.

Quatro integrantes do Lashkar-e-Jhangvi, incluindo um comandante sênior, foram mortos num tiroteio nesta terça-feira e mais de 170 suspeitos foram detidos, informou o secretário do Interior do Baluquistão, Akbar Hussain Durrani.

O governo também substituiu o principal oficial de polícia da província nesta terça-feira, disse Fayaz Sumbal, vice-chefe de política de Quetta.

"Nossas exigências foram aceitas", afirmou um importante líder xiita de Quetta, Amin Shaheedi, aos jornalistas, após conversações com uma delegação do governo enviada de Islamabad. "Pedimos ao nosso povo que voltem para suas casas de forma pacífica."

É preciso esperar para ver o impacto que a medida do governo terá na questão sectária em Quetta, já que é difícil processar suspeitos de terrorismo no país e não está claro se a operação contra os grupos militantes serão mantidas.

Militantes radicais sunitas intensificaram os ataques contra xiitas no último ano, porque não os consideram muçulmanos verdadeiros. A violência tem sido especialmente intensa na província do Baluquistão, que tem a terceira maior concentração de xiitas do país.

A bomba que explodiu numa mercado no sábado, matando 89 pessoas, estava escondida num tanque de água e foi levada para o local por um trator. Em janeiro, a explosão de duas bombas num salão de sinuca de Quetta deixou 86 mortos. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Paquistãoxiitasprotesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.