Xiitas protestam por prisão de filho de político no Iraque

Centenas de pessoas foram às ruas de Najaf neste sábado, 24, para protestar contra a prisão de 12 horas do filho mais velho de Abdul-Aziz al-Hakim, um dos políticos xiitas mais poderosos do Iraque em um posto de fiscalização na fronteira com o IrãSoldados americanos soltaram nesta sexta-feira, 23, Amar al-Hakim, de 35 anos, após prendê-lo por 12 horas em um posto de fiscalização na fronteira com o Irã, disseram fontes oficiais iraquianas.A reação dos xiitas à detenção de Amar al-Hakim foi rápida. Cerca de oito mil pessoas protestaram em Najaf, no sul de Bagdá, com bandeiras que tinham a foto de al-Hakim e de seu pai.."A detenção de al-Hakim representa um insulto aos iraquianos", disse Hassan al-Shebli, um dono de uma loja que estava entre os protestantes. "Os americanos deveriam evitar atos irresponsáveis se querem de fato estabilizar o país."Houve protestos também no distrito de Sadr e Bas cidades xiitas de Karbala e Basra. As pessoas pediram investigação sobre o caso."O que aconteceu é inaceitável, disse o legislador xiita Hamid Majid Moussa em programa de TV local.Os Estados Unidos acusam o Irã de fomentar a violência no Iraque e já manifestaram seu desconforto com as ligações históricas entre Teerã e o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (Sciri), partido de Hakim. O Sciri teve sede no Irã durante o governo de Saddam Hussein, que reprimia os xiitas.A prisãoO comboio de Ammar Hakim foi parado no posto de fiscalização de Badrah, na província de Wasit, quando ele voltava do Irã, disseram fontes oficiais iraquianas e um assessor de Abdul-Aziz al-Hakim. O motivo da prisão não foi esclarecido.As fontes iraquianas disseram que ele foi levado para uma base americana perto de Kut, capital da província."Ele foi preso junto com três guarda-costas. Suas armas foram confiscadas, embora eles tivessem porte", disse o assessor de Abdul-Aziz Hakim. "Os americanos pediram desculpas, dizendo que foi um equívoco e que já o libertaram. Mas isso não é verdade", acrescentou ele antes de confirmada a libertação de Ammar.Após a libertação de Amar, o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, desculpou-se publicamente pela prisão. "Sinto muito", disse Khalilzad.O Iraque fechou suas fronteiras com o Irã e a Síria por três dias na semana passada como parte de um plano para conter a violência que castiga Bagdá e outras cidades iraquianas. Autoridades americanas disseram que a segurança nos postos de fiscalização estava sendo reforçada para impedir a entrada de armas e militantes estrangeiros.

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