Yuri Kochetkov/Efe
Yuri Kochetkov/Efe

Yanukovich diz que não fugiu e continuará lutando pela Ucrânia

Em primeira aparição desde sábado, presidente deposto afirmou que foi coagido a deixar o país

O Estado de S. Paulo,

28 Fevereiro 2014 | 10h52

MOSCOU - O presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, afirmou nesta sexta-feira, 28, que foi obrigada a deixar o país e continuará lutando por ele. "Eu pretendo continuar lutando pelo futuro da Ucrânia", disse Yanukovich em sua primeira aparição em público desde o sábado 22.

Durante entrevista na cidade de Rostov-on-Don, na Rússia, o presidente acusou o novo governo ucraniano de usar a violência e o terror. "Eu não fui destituído, fui coagido a deixar a Ucrânia."

"Eu não podia arriscar a vida da minha família, essa é a real situação", disse Yanukovich ao ser questionado por um jornalista sobre o motivo de não ter permanecido em Kiev e pediu desculpas por não ter contido a crise política no país.

"Quero me desculpar com o povo ucraniano por não ter tido força suficiente para parar o que agora toma conta do país". Para o presidente deposto, o poder em Kiev foi "roubado por nacionalistas e fascistas, que são a minoria na Ucrânia."

Sobre a ordem internacional de busca e prisão por assassinatos em massa que tem contra ele, Yanukovich diz que não deu ordens para que a polícia atirasse contra manifestantes e a tropa de choque só poderia utilizar suas armas "para defesa própria". "Nunca dei ordens para a polícia atirar."

Yanukovich disse que não pedirá ajuda militar à Rússia para voltar ao poder. "Considero que toda ação militar nessa situação é inaceitável. Não penso em pedir ajuda militar. O presidente deposto afirmou que ainda não se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, mas conversou com o mandatário por telefone. "Desde minha chegada ao território russo, não me reuni com o presidente Putin. Conversamos por telefone e concordamos em nos encontrar quando for possível. Quando? Não sei."

Yanukovich acrescentou que retornará à Ucrânia quando sua segurança for garantida e disse que a saída para a crise política no país deve passar pelo acordo feito com a oposição em 21 de fevereiro e que não está sendo cumprindo. Ele lembrou que o acordo previa uma reforma constitucional para igualar os poderes do Estado e estabelecia eleições antecipadas para dezembro de 2014.

Crimeia. Yanukovich afirmou que a Crimeia deve continuar sendo parte da Ucrânia e não iniciar um processo separatista. "A Crimeia deve continuar sendo parte da Ucrânia, mas com ampla autonomia."

Para o presidente deposto, as tensões no local são uma "reação natural" a uma usurpação do poder. "Tudo que está ocorrendo na Crimeia é uma reação absolutamente natural a um golpe de Estado feito por bandidos, em Kiev um punhado de radicais usurpou o poder."

Nesta sexta-feira, o governo da república autônoma da Crimeia declarou que não possui a pretensão de se tornar independente da Ucrânia, embora o Parlamento local tenha convocado um referendo na quinta-feira 27 para ampliar a autonomia da região ucraniana de maioria étnica russa.

"Não buscamos a independência. Simplesmente, queremos que a Crimeia seja uma autêntica república autônoma no marco da Ucrânia, não como agora quando as faculdades não se exercem", disse o porta-voz./ EFE, REUTERS e AP

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