Yeltsin rompe silêncio e critica pacote de Putin

O ex-presidente da Rússia Boris Yeltsin, de 73 anos, criticou as reformas planejadas por seu sucessor Vladimir Putin, que pretende eliminar a eleição direta para governador e acabar com o voto distrital para o preenchimento de metade das cadeiras do Parlamento. Yeltsin advertiu que "estrangular a democracia e as liberdades do cidadão seria uma vitória dos terroristas". E acrescentou: a crítica de um ex-presidente é algo "correto e civilizado". "Só um país democrático pode derrotar os terroristas", afirmou ao diário russo Moscow Times, que antecipou hoje trechos da entrevista a ser publicada amanhã. Yeltsin insistiu que a Rússia não deveria deixar de lado o espírito da Constituição de 1993, aprovada em referendo. Às voltas com sérios problemas de saúde e sob pressão política, Yeltsin renunciou em 31 de dezembro de 1999, transferindo o poder interinamente para Putin.Putin é acusado de usar como pretexto o combate ao terror para aumentar seus poderes. Hoje, em entrevista coletiva à imprensa, ele reiterou que não vai negociar com líderes dos separatistas chechenos e voltou a dizer que nenhum país civilizado está disposto a dialogar com Osama bin Laden. A declaração foi uma nova resposta à pressão dos EUA e da União Européia, que vêm criticando seu plano de reformas das instituições.

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