Kim Hong-Ji / Reuters
Kim Hong-Ji / Reuters

YouTube suspende 210 canais que espalhavam desinformação sobre protestos em Hong Kong 

Decisão foi anunciada na mesma semana que Twitter e Facebook bloquearam milhares de contas ligadas à China que comparavam manifestantes a terroristas

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 16h07

SAN FRANCISCO — O Youtube afirmou na quinta-feira, 22, que sua plataforma foi utilizada para espalhar desinformação sobre os protestos em massa em  Hong Kong, dias após o Twitter e o Facebook bloquearem milhares de contas apoiadas pela China que comparavam os manifestantes a terroristas e os acusavam de agir de acordo com interesses estrangeiros.

Em um post em seu blog, o Youtube informou que havia desativado 210 canais nesta semana que enviaram vídeos sobre os protestos em Hong Kong. Os canais agiam de maneira coordenada para disseminar a desinformação, segundo a empresa. O Youtube, que pertence ao Google, não especificou quando os canais foram retirados do ar.

O engenheiro de software da equipe de análise de ameaças do Google Shane Huntley explicou que os canais removidos eram "consistentes com as recentes observações e ações relacionadas à China anunciadas pelo Facebook e pelo Twitter".

Na segunda-feira, Facebook e Twitter informaram que removeram milhares de contas originadas na China que atuavam juntas para ampliar as mensagens e imagens que retratam os manifestantes de Hong Kong como violentas e extremas. 

Foi a primeira vez que as empresas de mídia social removeram contas ligadas à desinformação na China. Na época, o Twitter disse que tinha "evidências confiáveis ​​para sustentar essa que era uma operação coordenada pelo Estado".

As revelações destacam como a China adotou as plataformas de mídia social do Ocidente para disseminar suas mensagens, empregando técnicas que foram pioneiras pela Rússia há alguns anos. 

A Rússia usou Twitter, Facebook, Instagram, Youtube e outras mídias sociais para distribuir conteúdo divisionista e inflamatório, especialmente antes e durante as eleições presidenciais americanas de 2016.

Historicamente, a China não precisava tanto da mídia social ocidental uma vez que Pequim exerce um controle rígido sobre a internet por meio de um sistema de filtros conhecido como Great Firewall. Mas as pessoas em Hong Kong, uma ex-colônia britânica que tem um sistema de governança diferente do restante da China, usam amplamente o Facebook, o Twitter e outros aplicativos ocidentais de mídia social.

Em seu blog na quinta-feira, o Youtube não abordou por que divulgou a suspensão dos canais de desinformação dias depois de Facebook e Twitter revelarem suas descobertas. Ao contrário dessas duas redes sociais, o Youtube não incluiu exemplos do conteúdo removido. 

O Youtube e Huntley não responderam aos pedidos de comentário.

"Esse aspecto da operação é muito parecido com o conteúdo do Twitter ou Facebook, parte de um todo maior que se espalha pelas plataformas", disse Graham Brookie, diretor do Laboratório de Pesquisa Forense Digital do Atlantic Council. "Cada uma dessas partes é extremamente importante para compreendermos uma rede maior". 

Ele acrescentou que o Youtube raramente divulga dados sobre o conteúdo que remove para os pesquisadores, uma vez que a empresa teme ampliar o conteúdo falso ao divulgá-lo.

Banco de dados

De acordo com um banco de dados das contas do Twitter que postaram desinformação sobre as manifestações de Hong Kong, fornecidas pela própria rede nesta semana, algumas postaram rotineiramente links para vídeos do Youtube. Brookie disse que sua equipe encontrou milhares de vídeos do Youtube nesse banco de dados.

Parte desse conteúdo parecia inofensino - incluindo tutoriais de culinária - e permanece no Youtube. Mas muitos dos vídeos compartilhados foram removidos e substituídos por mensagens informando que as contas do Youtube foram encerradas. 

Arquivos dos vídeos removidos, hospedados pela biblioteca digital Internet Archive, mostraram que alguns deles se concentraram em questões políticas chinesas,além dos enormes protestos em Hong Kong. Vários vídeos removidos mostravam o bilionário chinês exilado Guo Wengui, que usou as mídias sociais para acusar líderes do Partido Comunista chinês de corrupção. Os vídeos diziam que Guo era uma fraude.

O Youtube informou que continuaria permitindo que meios de comunicação apoiados pelo governo chinês publicassem em sua plataforma. O Twitter havia dito na segunda-feira que proibiria a mídia apoiada pelo Estado de publicar anúncios em seu serviço.

Embora as principais plataformas de redes sociais ocidentais estejam bloqueadas na China, as agências de notícias estatais chinesas gastaram centenas de milhares de dólares para aumentar sua presença no Youtube, Facebook, Twitter e outros sites, indicam registros de compras do governo.

O Youtube identifica conteúdo patrocinado por um governo, usando um formato de etiqueta de aviso que também foi implantado para afastar os espectadores de conteúdo violento ou anti-semita. / NYT

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