Reprodução/YouTube
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Rapper mexicano confessa ter dissolvido corpos de estudantes em ácido

Segundo as autoridades, Christian Omar 'N', conhecido como QBA, admitiu que recebia 3 mil pesos semanais (cerca de US$ 159) para trabalhar para o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos mais poderosos do México

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 02h26
Atualizado 26 Abril 2018 | 15h32

GUADALAJARA, MÉXICO - O rapper e youtuber mexicano Christian Omar “N”, conhecido como QBA, confessou ter dissolvido em ácido os corpos de três estudantes de cinema assassinados, um crime que chocou o México, informaram na quarta-feira, 25, as autoridades.

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Omar foi um dos dois detidos pelos assassinatos de Salomón Aceves Gastélum, de 25 anos, Daniel Díaz, de 20 anos, e Marco Ávalos, de 20 anos, sequestrados no dia 19 de março, torturados e assassinados no Estado de Jalisco.

O rapper admitiu à promotoria estadual que foi o responsável por fazer desaparecer os corpos dissolvendo-os em ácido. "Participou de outros três homicídios" prévios, disse Lizette Torres, que lidera as investigações, sem esclarecer quais seriam estes crimes. "Ele disse que entrou para o cartel atraído atraído pelo pagamento", completou.

QBA revelou que recebia 3 mil pesos semanais (cerca de US$ 159) para trabalhar para o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos mais poderosos do México, para o qual teria entrado há cerca de três meses levado por um amigo.

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O rapper mantinha duas páginas no Facebook, com 90 mil e 50 mil seguidores, e um canal no YouTube com mais de 120 mil inscritos. "La muerte no tiene horario" foi seu primeiro clipe publicado no site de compartilhamento de vídeos, em 2015. Desde então, QBA postou 67 vídeos, acumulando mais de 19,92 milhões de visualizações. Sua música de mais popular é "El Infierno", assistida mais de 1,6 milhão de vezes.

"Ele diz que se dedicava a produzir vídeos para o YouTube, que era um youtuber. Fizemos o download dos vídeos que serão analisados em uma das linhas de investigação que seguimos", explicou Lizette.

Em canções como "La muerte no tiene horario", "El infierno" e "Mala vida", QBA fala sobre violência, armas e drogas, quase sempre em tom ameaçador, mas por vezes também reflexivo. Nas redes sociais, usuários lembraram que no clipe da música "Descansen en paz" (acima) QBA aparece chutando e agredindo uma pessoas que aparenta ter sido sequestrada antes de atear fogo ao corpo da vítima.

Muitos de seus vídeos, que têm produção profissional, também mostram imagens de bairros periféricos onde ele aparece cercado por jovens que usam drogas e ostentam armas brancas; em outros, QBA e seus companheiros se exibem fazendo manobras arriscadas com motos ou carros de luxo.

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"A vida ruim nos rodeia", canta QBA em um vídeo que relata a história de uma "criança saudável", talentosa para o futebol, mas que por influencia o seu irmão mais velho acaba envolvido com o crime organizado.

Christian Omar e o outro preso serão acusados de sequestro, segundo a procuradoria. Pelo menos outras cinco pessoas que teriam participado do assassinato continuam foragidas. / AFP

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