Yunus, bengalês pioneiro do microcrédito, leva Nobel da Paz

O pioneiro do microcrédito, Muhammad Yunus, e seu Grameen Bank, de Bangladesh, foram indicados nesta sexta-feira ao prêmio Nobel da Paz. Yunus tornou-se conhecido por levar oportunidades sociais e econômicas para os cidadãos de baixa renda através de pequenos empréstimos, o que ajudou a tirar milhões da pobreza extrema. Ao conceder o prêmio, de US$ 1,4 milhão, o Comitê do Nobel disse que o trabalho de Yunus mostrou como o esforço para eliminar a pobreza pode resultar em paz duradoura."A paz duradoura não pode ser atingida a menos que grandes grupos da população encontrem formas de sair da pobreza", disse o comitê. "O microcrédito é um destes meios. O desenvolvimento a partir das bases também serve para avançar nos direitos humanos e na democracia".O economista de 65 anos, chamado de "o banqueiro dos pobres", e o banco que ele fundou em 1976 vão dividir o prêmio. Eles foram citados por seus esforços para ajudar "a criar o desenvolvimento econômico e social a partir das bases" em seu país ao usarem programas econômicos inovadores como o microcrédito.Yunus, o primeiro bengalês a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, disse quase imediatamente que iria usar sua parte do prêmio de US$ 1,4 milhão para criar uma companhia para a produção de alimentos de baixo custo e grande valor nutricional para a população de baixa renda. O Grameen Bank ajuda a milhões de pobres de Bangladesh, a maioria mulheres, ao emprestar pequenas quantias de dinheiro para a abertura de negócios. Os créditos são geralmente utilizados na compra de animais de criação e para a aquisição de telefones móveis que podem ser utilizados em lugarejos sem acesso a telefonia fixa.Crédito fácilO banco foi o primeiro órgão a fornecer crédito a pessoas que não se enquadravam nos perfis exigidos pelas grandes instituições financeiras. O pagamento do empréstimo é feito na base da confiança, já que o credor não precisa dar outras garantias ao pedir o dinheiro.Qualquer um pode se qualificar para um empréstimo, e a média do valor é de cerca de US$ 200. Para que o banco tenha um controle sobre a saída e entrada do dinheiro, os beneficiados são colocados em grupos de cinco pessoas. Enquanto dois recebem um empréstimo, os outros três devem esperar o pagamento do mesmo para conseguirem retirar os valores."Todo indivíduo na terra tem o potencial e o direito de viver uma vida decente. Yunus e o Grameen Bank mostraram, por culturas e civilizações, que mesmo os mais pobres podem trabalhar para conseguir seu próprio desenvolvimento", disse o comitê Nobel.Yunus mostrou-se emocionado com o prêmio. "Estou absolutamente encantado. Não posso acreditar que isto de fato aconteceu", disse ele por telefone de sua casa em Dhaka. "Todos estavam me dizendo que eu ganharia o prêmio, mas para mim foi uma surpresa. É uma notícia fantástica para as pessoas que nos apoiaram"."Estou muito, muito feliz. É uma grande notícia para toda a nação."O Grameen Bank tem 6,6 milhões de clientes, dos quais 97% são mulheres, e atua em mais de 70 povoados em Bangladesh. Yunus tem sido elogiado por desenvolver o microcrédito não apenas em Bangladesh, mas também na Ásia, África e Oriente Médio.Desde que foi fundado, em 1997, o banco - cujo nome significa "rural" - já expandiu suas modalidades de crédito. Atualmente, a instituição fornece dinheiro para a aquisição da casa própria e para o financiamento da irrigação e da pesca. O banco conta com uma rede mundial com mais de 50 parceiros em 22 países, e ajuda cerca de 11 milhões de pessoas na Ásia, África, Oriente Médio e Américas.Para o presidente do Comitê do Nobel, Ole Danbolt Mjoes, os esforços de Yunus apresentam resultados visíveis. "O que estamos dizendo é que o microcrédito é uma contribuição importante, que não pode consertar tudo, mas que é uma grande ajuda", disse Mjoes, que acrescentou que Yunus é um "cara esperto. Ele é criativo. Tem a cabeça no lugar".Texto ampliado às 12h21

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