Yunus: prêmio é grande notícia para todos os pobres

O bengalês Muhammad Yunus, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira, expressou sua alegria por ter sido agraciado e afirmou que o prêmio é uma grande notícia para todos aqueles que receberam microcrédito no mundo. Ele acrescentou ainda tratar-se de "um prêmio para todas as mulheres" que trabalharam pelo desenvolvimento do Grameen Bank - banco de Yunus que também foi premiado com o Nobel da Paz. A instituição, que concede pequenas quantias de dinheiro para populações de baixa renda, tem grande parte de seu clientela entre o público feminino. O conceito é que as mulheres são mais comedidas na utilização dos empréstimos, e mais comprometidas com o pagamento dos mesmos."Não consigo acreditar. Não consigo nem acreditar. Todo o mundo está me dizendo que acabo de ganhar o Nobel da Paz. Mas não consigo acreditar. Estou tão agradecido", disse Yunus, muito emocionado, por telefone, à TV pública norueguesa NRK."É uma notícia fantástica não apenas para mim, mas para todas as pessoas no mundo que já receberam um microcrédito", acrescentou.Conhecido como "banqueiro dos pobres", doutor em Ciências Econômicas e prestigiado professor, Yunus considerou lógico ter recebido o Nobel da Paz em vez de o de Economia, e afirmou que ambos os assuntos estão "relacionados"."A economia e a paz estão diretamente relacionadas, os problemas do mundo são causados em grande parte por razões econômicas", disse.Para Yunus, o Prêmio Nobel da Paz, que foi concedido a ele e a seu banco de microcréditos Grameen Bank, vai inspirá-lo para completar seus planos futuros. "(O prêmio) dará um novo impulso a nosso movimento e à luta contra a pobreza no mundo todo", disse.Logo após ser nomeado, ele destacou que irá usar sua parte do prêmio de US$ 1,4 milhão para criar uma companhia para a produção de alimentos de baixo custo e grande valor nutricional para a população de baixa renda. "Estou orgulhoso por todo o país. Acho que é um grande reconhecimento de nossos esforços no Grameen Bank e de todas as mulheres que trabalham para nós e que fizeram do Grameen Bank um êxito", acrescentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.