Zapatero acusa Aznar de mentir sobre atentados de Madri

Num tenso interrogatório na comissão parlamentar de investigação dos atentados de 11 de março em Madri, o primeiro-ministro Luís Rodríguez Zapatero negou que seu Partido Socialista tenha instigado manifestações contra o governo na véspera da eleição geral de março, a fim de se beneficiar politicamente dos atentados contra trens na capital espanhola. Zapatero acusou seu antecessor José María Aznar de ter enganado os espanhóis ao insistir em atribuir ao ETA os ataques que deixaram 191 mortos e mais de 2 mil feridos, mesmo depois do surgimento de claras evidências de que se tratava de uma ação de terroristas islâmicos. O premier também denunciou que funcionários de Aznar apagaram importantes arquivos eletrônicos sobre o episódio antes de entregar o poder. Segundo o primeiro-ministro, toda informação relativa ao período compreendido entre os dias 11 e 14 de março (quando ocorreram as eleições vencidas pelo Partido Socialista Operário Espanhol, de Zapatero - PSOE) foi apagada dos computadores por ordem do governo Aznar. "Seu partido foi antidemocrático no dia 13; deveria ter censurado o protesto, mas fez exatamente o contrário", atacou o parlamentar conservador Eduardo Zaplana, referindo-se às manifestações de rua contra o governo Aznar, que se seguiram aos atentados. Visivelmente irritado, Zapatero respondeu: "Não posso aceitar esse absurdo. Nem organizamos, nem incitamos, nem apoiamos aquelas manifestações." Zaplana insistiu: "Não condenou as manifestações porque você foi o máximo beneficiário." Zapatero replicou: "Analise seus resultados eleitorais por seus erros, não pelo que as pessoas fizeram nas ruas." Aznar foi interrogado há duas semanas durante 11 horas.

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