Zapatero rejeita apelo por novas negociações com o ETA

Um aliado-chave do grupo separatista basco ETA disse no domingo que o governo da Espanha não terá que pagar um preço político para retomar as conversas de paz abandonadas no mês passado depois que a guerrilha matou dois homens em um atentado com carro-bomba. Mas o primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero ignorou a oferta e disse que o ETA e seus colaboradores tinham primeiro que convencer a Espanha de que abdicaram da violência. Arnaldo Otegi, porta-voz do partido Batasuna, ligado ao ETA, disse em uma entrevista que a região basca apenas ganharia a independência apenas por meios pacíficos e democráticos e encorajou todos os partidos a trabalhar em direção a esse objetivo. Mas Otegi não condenou o atentado do ETA no aeroporto de Barajas, em Madri, no dia 30 de dezembro, que interrompeu um cessar-fogo de nove meses e levou o premier Zapatero a abandonar um frágil processo de paz, que durava sete meses. "O Estado Espanhol não tem que pagar nenhum preço político para o ETA ou para nós", disse Otegi em uma entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia. "Se nós nos colocarmos na equação ´o fim da violência significa que você tem que pagar um preço político ao ETA´, não haverá solução. Isso equivale a pedir que o Estado se renda." Zapatero disse ter lido os comentários de Otegi e notou uma mudança no que ele havia dito antes, mas um elemento importante ainda estava faltando. "O que é necessário é que o Batasuna renuncie à violência e faça isso de uma maneria crível, convincente e confiável para a democracia", disse Zapatero em um discurso em Ponferrada, na região de León. O Batasuna, banido por suas ligações com o ETA, insiste que o processo de paz ainda é viável mesmo após o primeiro ataque mortal da guerrilha após três anos. Para avançar no processo, o Batasuna não exige nenhuma medida política, como a transferência de prisioneiros do ETA para suas regiões de origens, ou uma menor pressão política contra o grupo. O partido vê a independência basca como consequência de um acordo de paz. "O projeto de independência pode somente ser construído através de meios pacíficos e democráticos", disse Otegi. Dezenas de milhares de espanhóis aliados do oposicionista Partido Popular e grupos de vítimas do ETA marcharam em Madri no sábado para manifestar oposição contra conversas de paz com o grupo basco e exigir que um matador do grupo cumpra sua sentença integral. O prisioneiro, Inaki de Juana Chaos, iniciou uma greve de fome há três meses e meio e recentemente teve a pena por terrorismo reduzida de 12 a 3 anos. De Juana recentemente parou de ser alimentado à força, e analistas dizem que sua morte poderia ser o estopim de uma nova onda de violência basca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.