Zapatistas concluem missão com êxito

Os 24 dirigentes zapatistas que há um mês iniciaram um marcha de 3.000 km do Estado meridional de Chiapas em direção à capital concluíram com êxito sua missão ao conseguirem lançar sua mensagem em defesa dos direitos indígenas da tribuna do Congresso. Sem disparar um só tiro, os zapatistas conseguiram a retirada do Exército de sete posições estratégicas, a libertação da maioria dos rebeldes presos e, sobretudo, assentar as bases para a aprovação de uma lei que reconhece certas formas de autonomia de 10 milhões de indígenas. Acima de tudo, no entanto, conseguiram sacudir a consciência pública a respeito da dramática situação de miséria e atraso de uma décima parte da população e redescobrir a parte esquecida do país - a que é habitada pelos indígenas. As duras críticas feitas aos comandantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) durante todo o tempo de sua permanência na Cidade do México, desde simples questionamentos até ameaças, se transformaram nesta quinta-feira em elogios e demonstrações de simpatia e admiração. "O diálogo está batendo à nossa porta, e a paz é o que se seguirá", afirmou exultante o ministro de Governo, Santiago Creel. Também o governante Partido Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox, que vinha se opondo à presença zapatista e à ocupação da tribuna da Câmara dos Deputados pelos rebeldes, expressou seu apoio ao "diálogo para o reconhecimento dos direitos indígenas". "Começa (agora) uma nova etapa do diálogo político para elaborar leis justas para os indígenas, para suas comunidades e para todos os mexicanos", afirmou o PAN em um documento no qual se compromete a apoiar a lei promovida pelos zapatistas. O principal objetivo da "Caravana pela Dignidade Indígena" de 24 dirigentes rebeldes, que percorreu 12 Estados do sul e centro do México durante duas semanas, foi falar perante o Congresso para convencer os legisladores a apoiarem a Lei dos Direitos e Cultura Indígena que agora será por eles discutida. Só depois de intensos ataques e de os zapatistas ameaçarem regressar a Chiapas na sexta-feira passada, os legisladores permitiram aos rebeldes dirigir-lhes a palavra da tribuna da Câmara. Entre outras medidas, a guerrilha anunciou perante o Congresso que não ocupará as sete posições abandonadas pelo Exército em seus principais redutos e ordenou a um dos representantes de seu braço político, Fernando Yáñez, o "Comandante Germán", que iniciasse contatos com o negociador governamental Luis H. Alvarez com vistas a retomar as negociaçòes de paz. "Temos muito a caminhar, mas já demos o primeiro passo", disse o deputado Héctor Sánchez, de etnia zapoteca e presidente da Comissão de Assuntos Indígenas na Câmara de Deputados.

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