Zapatistas rejeitam encontro com Fox

O rebelde Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) rejeitou novamente nesta quinta-feira um convite do presidente Vicente Fox para iniciar conversações de paz e afirmou que pretende retornar aos seus redutos na selva do sul do México. "Não podemos iniciar o diálogo com o governo", disse o comandante Zebedeo em entrevista concedida nesta quinta-feira na Cidade do México, alegando que o governo mexicano ainda não cumpriu todas as condições impostas pelos rebeldes para dialogar. Os zapatistas planejavam em seguida protestar diante do Congresso, exigindo uma lei que modifique a Constituição para dar às comunidades indígenas maior autonomia política e direitos culturais. Este protesto seria a última manifestação planejada pelo EZLN na capital mexicana, antes de seus representantes regressarem na sexta-feira ao estado de Chiapas, no sudeste do país, decepcionando funcionários do governo que planejavam prosseguir com o diálogo na capital até a obtenção da paz. Após uma marcha em direção à capital iniciada em 24 de fevereiro, os 24 líderes zapatistas haviam prometido permanecer na Cidade do México até que a lei sobre os direitos indígenas fosse aprovada; mas no início desta semana, frustrados porque o Congresso não os autorizou a falar da tribuna de honra da Câmara dos Deputados, os rebeldes anunciaram sua partida. Zebedeo disse que Fox não havia cumprido as três condições para o início do diálogo: o fechamento de sete bases militares, a libertação dos zapatistas presos e a aprovação da lei sobre direitos indígenas. Fox, no entanto, já fechou quatro bases e anunciou na quarta-feira que transformaria as outras três em centros comunitários para indígenas, embora as tropas continuassem nelas aquarteladas até aquele dia. "Por muitos anos nos enganaram com falsas palavras", disse Zebedeo, "por isso não confiamos em palavras e sim em atos". Nesta quarta-feira, pouco antes da meia-noite, o presidente da Comissão de Concórdia e Pacificação (Cocopa), Luis H. Alvarez e Rodolfo Elizondo, coordenador da Aliança para a Cidadania do governo, entregaram aos zapatistas um convite de Fox para uma entrevista. Fox tem afirmado estar em busca da paz com os rebeldes, apesar de uma série de críticas a ele dirigidas pelo porta-voz insurgente, subcomandante Marcos, que acusa o mandatário de fazer falsas promessas. Marcos também tem criticado o denominado "Plano Puebla-Panamá" do presidente para promover o desenvolvimento econômico do sul do país. Em janeiro de 1994, os rebeldes ocuparam seis povoados em Chiapas. Após 12 dias de combates e mais de 145 mortos, foi declarado um cessar-fogo. As conversações de paz estão suspensas desde 1996.

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