Zapatistas vão sair da Cidade do México

Atribuindo a "políticos primatas" a culpa pela lentidão para se aprovar um projeto de concessão de direitos aos indígenas, rebeldes zapatistas anunciaram nesta segunda-feira que retornarão à sua fortaleza no sul do país nesta semana. Os 24 líderes rebeldes, que fizeram uma dramática marcha de duas semanas por boa parte do país para angariar apoio, diziam que acampariam na periferia da capital mexicana até que o projeto de autonomia dos indígenas se transformasse em lei. Mas o chefe militar do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), subcomandante Marcos, expressou frustração com relação às negociações com alguns parlamentares. "De frente para políticos, nunca abaixaremos nossas cabeças nem aceitaremos humilhação ou fraude", disse ele em entrevista coletiva na Escola Nacional de Antropologia e História, onde os líderes rebeldes estão. Marcos sublinhou que o EZLN continuaria a perseguir métodos políticos, em vez de militares, para atingir seus objetivos. "O EZLN continuará buscando e obtendo espaço para a participação de todos os que realmente desejam um novo México", afirmou. Mais cedo, Marcos prometera permanecer na Cidade do México até que o Congresso aprovasse o projeto de direitos indígenas, resultado de um acordo forjado em 1996 entre governo e rebeldes. Mas parlamentares de diversos partidos disseram que o projeto teria de ser modificado antes da votação, talvez no fim de abril. Muitos chegaram a rejeitar o pedido de Marcos para que os insurgentes mascarados obtivessem permissão para utilizar a tribuna do Congresso para um pronunciamento perante todos os parlamentares. "A intolerância da classe política é clara", declarou Marcos. "Os políticos primatas acreditam que podem continuar trabalhando com posições racistas, arrogantes e autoritárias da era colonial." Um ato de despedida dos rebeldes zapatistas ocorrerá em 22 de março, em frente ao Congresso.

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