Zardari pede moderação da Índia antes de acusar o Paquistão

Em artigo no 'NYT', presidente apela por colaboração contra o terror e que processo de paz não seja encerrado

Agências internacionais,

09 de dezembro de 2008 | 08h13

Em artigo publicado na edição desta terça-feira, 9, do jornal americano The New York Times, o presidente do Paquistão, Ali Asif Zardari, apontou que a ofensiva contra o campo de treinamento da organização radical islâmica Lashkar-i-Taiba é uma prova do comprometimento de seu governo contra o terrorismo e pediu para que a Índia faça uma "pausa e tome fôlego" antes de culpar o Paquistão pelos ataques contra a cidade de Mumbai. Zardari, viúvo da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto, propôs ainda que os dois países colaborem na luta antiterrorista e sigam "avançando em nosso processo de paz".   Veja também: Índia jamais cauterizou as feridas de 1947 Entenda a relação do Paquistão com Índia e Afeganistão   Num tom profundamente pessoal, Zardari afirma que seu governo civil, que tomou posse no início deste ano, também é alvo de extremistas islâmicos e "continua sendo vitíma" deles, mas que a operação contra o campo de treinamento usado pelo grupo que a Índia acusa pelos ataques contra a capital financeira indiana mostra que o Paquistão pretende combater as pessoas operando em seu território "não-ligadas ao governo". "Entendemos as considerações politicas domésticas depois dos ataques de Mumbai". A ação, que contou com a prisão do suposto mentor da série de ataques, Zaki-ur-Rehman Lakhvi, é a primeira resposta do Paquistão à pressão da Índia e dos EUA para que Islamabad feche o cerco aos responsáveis pelos três dias de terror na capital financeira indiana, que deixaram 173 mortos.   "Os atentados de Mumbai foram dirigidos não somente contra a Índia, mas também contra o novo governo democrático do Paquistão e contra o processo de paz que iniciamos com a Índia". "Para frustrar os propósitos dos terroristas, as duas grandes nações, nascidas da mesma revolução e do mesmo mandato, devem seguir adiante com o processo de paz". "A Índia e o Paquistão - e o resto do mundo - devem colaborar para buscar os terroristas que semearam o caos em Mumbai, atacaram Nova York, Londres e Madri no passado, que destruíram o hotel Marriot em Islamabad em setembro", afirmou.   "Demonstramos com as operações de domingo, que resultou na prisão de militantes, que o Paquistão agira contra os sem ligação com o governo que estão em nosso território, ameaçando-os criminalmente, terroristas e assassinos". "Os terroristas que mataram minha esposa têm vínculos ideológicos com esses inimigos da civilização". A mulher de Zardari, Benazir Bhutto, foi morta em dezembro de 2007 no segundo atentado desde que ela voltou do exílio, em outubro. O presidente invocou a morte para mostrar simpatia pelas vítimas da Índia. "Sinto dor toda vez em que olho para os olhos dos meus filhos".   "Os atentados de Mumbai foram dirigidos não somente contra a Índia, mas também contra o novo governo democrático do Paquistão e contra o processo de paz que iniciamos com a Índia". "Para frustrar os propósitos dos terroristas, as duas grandes nações, nascidas da mesma revolução e do mesmo mandato, devem seguir adiante com o processo de paz". "A Índia e o Paquistão - e o resto do mundo - devem colaborar para buscar os terroristas que semearam o caos em Mumbai, atacaram Nova York, Londres e Madri no passado, que destruíram o hotel Marriot em Islamabad em setembro", afirmou. "Os terroristas que mataram minha esposa têm vínculos ideológicos com esses inimigos da civilização".   O presidente paquistanês recordou que os terroristas islâmicos "não surgiram do nada", e que suas atividades foram fomentadas durante a Guerra Fria como uma arma contra a União Soviética no Afeganistão. Zardari pediu para que o resto do mundo ajude o Paquistão, que está "na linha de frente na guerra contra o terrorismo", e que já colocou na região da fronteira com o Afeganistão "150 mil soldados que lutam contra a Al-Qaeda, os taleban e seus aliados extremistas, muitos efetivos a mais do que tem a Otan no Afeganistão".   "Para a Índia, o Paquistão e os EUA, a melhor resposta contra a carnificina em Mumbai é a coordenação para contra-atacar o terrorismo". Para Zardari, "o mundo deve atuar para fortalecer a economia e a democracia no Paquistão, ajudando-nos a construir uma sociedade civil e a capacidade de garantir a segurança e lutar contra o terrorismo".

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