Zelaya afirma que está na embaixada brasileira em Honduras

Presidente deposto teria voltado ao país, três meses após ser afastado do poder.

Claudia Jardim, BBC

21 de setembro de 2009 | 16h51

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta segunda-feira à rede de TV Telesur que está na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, quase três meses após ter sido retirado do poder.

Zelaya agradeceu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, chegará a Tegucigalpa nesta terça-feira para mediar uma solução para o impasse político no país.

O presidente deposto de Honduras também pediu que o povo hondurenho se dirija à embaixada para demonstrar apoio a ele.

Assessores de Zelaya afirmaram à BBC Brasil que a operação que permitiu sua volta teria sido realizada com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU).

O governo interino de Honduras, no entanto, nega que Zelaya esteja no país.

O presidente interino, Roberto Micheletti, afirmou a jornalistas que possui "provas de que Zelaya não está em Honduras". A seu ver, a notícia do regresso do presidente eleito se trata de "terrorismo midiático".

"Chamado"

Em entrevista por telefone ao canal Telesur, Zelaya disse que voltou a seu país "atendendo a um chamado do povo hondurenho".

O presidente eleito disse que ainda está "fazendo gestões" e que dará início a um diálogo nacional e internacional que permita a volta da ordem institucional ao país.

"O propósito (do retorno) é que volte a paz e a tranquilidade depois de 86 dias de resistência desse povo hondurenho", disse.

Em transmissão ao vivo pelo canal estatal venezuelano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversou com Zelaya por telefone.

Ao comemorar a notícia, comentou que o hondurenho viajou "durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida, conseguiu chegar à capital e está em Tegucigalpa".

"Agora veremos o que farão os golpistas, com o povo na rua e com Zelaya em Honduras", disse Chávez, ao pedir "respeito à vida de Zelaya".

"Vitória"

Para Berta Oliva, dirigente da organização Cofadeh - que pertence a uma rede de entidades que apoiam Zelaya -, o regresso do presidente deposto é "uma vitória do povo".

"Uma de nossas reivindicações era reverter o golpe e o retorno de Zelaya deve garantir isso", disse Oliva à BBC Brasil.

Oliva, no entanto, adverte que a disputa mais difícil a partir de agora será a realização da Assembleia Nacional Constituinte, razão pela qual a oposição argumenta ter deposto Manuel Zelaya em 28 de janeiro.

"A população está convencida da necessidade de uma Constituinte, mas temo que os golpistas optem pelo enfrentamento e pela violência para impedir esse processo", afirmou.

O possível regresso de Zelaya ocorre em meio à campanha para as eleições convocadas para o dia 29 de novembro, pleito que a Organização de Estados Americanos (OEA), o Brasil e a maioria dos países da região afirmaram não reconhecer caso Zelaya não seja restituído.

A volta de Zelaya pode reativar o acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, que prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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