Zelaya agora rejeita acordo para voltar ao poder

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse que se recusa a voltar ao poder como parte do acordo firmado entre ele e o governo de facto no dia 30 de outubro para pôr fim à crise política que toma conta do país. As declarações foram dadas no sábado à noite. Segundo o presidente deposto, caso aceitasse o retorno, estaria legitimando o golpe que o tirou do cargo em 28 de junho.

AE-AP, Agencia Estado

16 Novembro 2009 | 11h15

Zelaya já havia qualificado o pacto como um "fracasso" apenas cinco dias depois de assiná-lo. O líder deposto exigia primeiro sua volta ao poder, para então ser formado um governo de união. Porém o grupo do líder do governo de facto, Roberto Micheletti, pretendia primeiro formar a coalizão. A decisão sobre a volta de Zelaya está a cargo do Congresso, que ainda não tem data para votá-la.

Da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado desde 21 de setembro, Zelaya leu uma nota, dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na qual sustenta que, para ele, o acordo ficou "sem valor nem efeito em razão do descumprimento unilateral do governo de facto". Zelaya também afirma que não terão valor as eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro. Ainda disse que Washington "alterou" sua posição inicial sobre a crise hondurenha.

Zelaya qualificou o processo eleitoral como "ilegal", pois "oculta o golpe de Estado militar e o estado de facto que vive Honduras". O líder deposto disse que o diálogo entre as partes rivais no país serviu apenas para legitimar o governo golpista de Micheletti e debilitar a posição dos EUA.

Apesar da renúncia de Zelaya em voltar ao poder, Vilma Morales, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça e representante de Micheletti nas negociações, afirmou que o acordo para solucionar a crise política em Honduras seguirá em vigor. "Tudo segue caminhando e seguiremos trabalhando nesse caminho." A negociadora notou que o texto "foi assinado pelas duas partes".

O vice-presidente do Parlamento, Ramón Velázquez, disse que o processo para o retorno de Zelaya segue em andamento na Casa, mesmo com as recentes declarações dele. "Estamos obrigados a seguir o trâmite, porque o Congresso tem um compromisso de apoiar o que se acordou no pacto."

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