Zelaya chega; embaixador se refugia no hospital

Pressionado por Tegucigalpa e por presidente deposto, Urbina é internado e não recebe líder na Base

Felipe Recondo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2009 | 00h00

A instabilidade política de Honduras levou o embaixador do país no Brasil, Victor Manuel Lozano Urbina, a internar-se no Hospital das Forças Armadas (HFA) na segunda-feira. Pressionado por um lado pelo presidente de facto, Roberto Micheletti, e por outro pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, Urbina foi internado, sem previsão de alta, e mantido incomunicável: não deveria receber visitas ou atender o telefone. Com isso, nenhum representante da embaixada de Honduras foi à Base Aérea de Brasília receber Zelaya, que desembarcou ontem à noite. Micheletti queria que o embaixador ignorasse a visita oficial de Zelaya ao Brasil - ele tem audiência hoje à tarde com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na condição de chefe de Estado. O presidente deposto exigia que o embaixador fosse recepcioná-lo. Com a internação, Urbina livrou-se de uma saia-justa. Zelaya acabou sendo recebido pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix. E toda a negociação para receber Zelaya no Brasil foi feita com auxiliares diretos do presidente deposto e não com a Embaixada de Honduras em Brasília. TEIMOSIADe acordo com funcionários da embaixada, Urbina sentia-se mal havia dias por causa das pressões nada diplomáticas que vinha recebendo. Falta de ar, cansaço e dores no braço eram os sintomas que ele vinha apresentando. O embaixador foi aconselhado a ir ao médico para exames de rotina, mas teria se negado a procurar tratamento. Na segunda-feira, diante das pressões, a situação teria se agravado e ele decidiu procurar atendimento médico em um hospital da capital. Urbina permaneceu internado ontem e não tem previsão de alta, conforme informações oficiais do Ministério da Defesa do governo brasileiro.O embaixador passou por exames, mas não autorizou que o diagnóstico fosse divulgado publicamente. "Ele se disse enfermo. Vamos ver isso amanhã", disse ironicamente Zelaya.No Brasil, o presidente hondurenho quer acertar com Lula retaliações ao governo Micheletti. "Minha presença aqui com o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim é para buscar estratégias mais enérgicas tanto dos EUA quanto da América Latina", disse, ao chegar a Brasília."Temos de reconhecer o esforço dos EUA, mas cremos que não é suficiente e tem sido demasiado tímido. O presidente Barack Obama deve tomar medidas mais enérgicas na parte comercial, econômica e migratória", acrescentou o presidente Zelaya.

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