Zelaya culpa EUA por golpe de Estado que o depôs em Honduras

Ex-presidente diz que tempo a apoio dedicados ao golpe denunciam envolvimento americano

Agência Estado e Associated Press

28 de junho de 2010 | 14h17

TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta segunda-feira, 28, que o golpe contra ele, realizado em 28 de junho de 2009, foi planejado pelos Estados Unidos e executado por hondurenhos a serviço do capital local e transnacional. "O tempo e o apoio público que os EUA terminaram dando ao golpe e àqueles que o executaram confirmam sua participação", acrescentou ele, em carta entregue à agência Associated Press por seu assessor legal, Rasel Tomé.

 

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Zelaya exige que seja permitida sua volta incondicional para Honduras e que o governo suspenda os processos contra ele. O ex-presidente é acusado de ter cometido os supostos crimes de atentar contra o sistema democrático de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e corrupção.

 

O político enviou a mensagem da República Dominicana, onde se refugiou com um salvo-conduto outorgado quando o presidente Porfirio Lobo assumiu o poder, em janeiro. "Esta é minha luta, nunca me rendo, e a única saída para Honduras é uma nova concertação para o diálogo político e a convocação da Constituinte", disse.

 

Os planos de convocar uma Assembleia Constituinte foram o argumento dos golpistas para derrubar Zelaya do poder e expulsá-lo do país. Zelaya acabou voltando em segredo e se abrigou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Posteriormente, houve um acordo para a saída do político do país.

 

Histórico

 

Zelaya atribuiu o golpe às medidas adotadas por seu governo, entre elas um plano para reaver a base militar americana de Palmerola (45 quilômetros ao norte de Tegucigalpa), para convertê-la em um aeroporto civil, e por assinar tratados de associação com a Venezuela e a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

 

Segundo o ex-líder, também pesou contra ele o fato de seu governo ter eliminado as políticas monetárias cambiais e salariais, com subsídios ao transporte e melhorias para os operários, "contradizendo as políticas de recessão do Fundo Monetário Internacional (FMI)".

 

Zelaya também escreveu na carta que as medidas tomadas por seu governo permitiram que Honduras mantivesse suas reservas internacionais e o país conseguisse um nível adequado de crescimento dos programas sociais, em um quadro de crise internacional.

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