Zelaya deve deixar hoje embaixada brasileira

Um dia após a Suprema Corte hondurenha inocentar todos os seis generais da junta militar que desferiu o golpe do dia 28 de junho, o presidente deposto, Manuel Zelaya, deve receber hoje um salvo-conduto e deixar o país rumo à República Dominicana. Zelaya sairá de cena enquanto Porfírio "Pepe" Lobo, eleito em novembro, recebe a faixa presidencial em uma cerimônia de posse marcada pela falta de líderes estrangeiros.

AE, Agencia Estado

27 de janeiro de 2010 | 07h48

A operação para retirar Zelaya de Honduras deverá ser conduzida pelo próprio Pepe, com os presidentes dominicano, Leonel Fernández, e guatemalteco, Álvaro Colom. Automóveis com chapa diplomática serão levados à Embaixada do Brasil, onde receberão Zelaya e sua mulher, Xiomara. De lá, a caravana segue para o aeroporto. "Se houver espaço, vou também (para a República Dominicana)", brincou Lobo.

Em dezembro, o México chegou a enviar um avião a Tegucigalpa para buscar Zelaya, mas o presidente de facto, Roberto Micheletti, negou-se a conceder um salvo-conduto sem que o deposto renunciasse à presidência formalmente.

Tentando jogar uma pá de cal na crise, Pepe firmou no dia 20, na República Dominicana, um documento no qual se compromete a deixar Zelaya partir imediatamente após assumir o governo. A garantia foi dada sob forte pressão dos Estados Unidos e do Brasil - participaram da reunião em Santo Domingo o subsecretário de Washington para América Latina, Arturo Valenzuela, e o número 2 do Itamaraty, Antônio Patriota.

"Desta vez não deve dar zebra", disse ao jornal O Estado de S. Paulo o encarregado de negócios do Brasil em Tegucigalpa, Francisco Catunda Rezende. Ele espera que a embaixada brasileira "volte ao normal" já na segunda-feira, retomando os serviços consulares. Como o País não reconhece a vitória de Lobo, as demais atividades da missão continuam suspensas.

Inocência

A Suprema Corte de Honduras inocentou ontem os seis principais generais responsáveis pelo golpe. O juiz avaliou que a cúpula das Forças Armadas atuou "com fins justificados para salvar a democracia e evitar um banho de sangue". Absolvido, o general Romero Vásquez, comandante do Estado-Maior e ex-aliado do presidente deposto, disse que, caso não houvesse derrubado Zelaya, Honduras viveria uma "guerra civil".

Fora dos tribunais e da embaixada do Brasil, Tegucigalpa se prepara para a posse de Pepe, no Estádio Nacional. A lista de convidados de honra que estarão em sua posse é pequena. Apenas Panamá, República Dominicana, Guatemala e Taiwan estarão representados por seus presidentes. Dos 12 países da América do Sul, somente Peru e Colômbia enviaram autoridades. Valenzuela acompanhará a cerimônia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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