Zelaya deve voltar a Honduras este mês, diz aliado

O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya retornará em breve ao país, após a Corte Suprema de Justiça suspender dois processos por corrupção contra ele e presidentes sul-americanos negociarem a reincorporação de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA). O representante legal do ex-líder em Tegucigalpa, Rasel Tomé, disse hoje que "há muitas condições para que o presidente Zelaya retorne este mês". "Uma delas é que já se anularam os processos contra ele, e ele tem a vontade e o desejo de vir à sua pátria."

AE, Agência Estado

11 de maio de 2011 | 14h22

Segundo Tomé, não é possível dizer qual é a data do retorno, "porque isso depende do processo de mediação em curso impulsionado pelo presidente (venezuelano Hugo) Chávez e que sem dúvida desembocará em um acordo" com o atual presidente hondurenho, Porfirio Lobo, que deverá oferecer um "retorno seguro" a Zelaya.

O subcoordenador da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), Juan Barahona, afirmou que o ex-presidente deve retornar a Tegucigalpa antes do início da assembleia geral da OEA, em 5 de junho, em El Salvador. Barahona ressaltou que esse horário será divulgado, para que o povo possa recebê-lo no aeroporto.

A OEA expulsou Honduras por causa do golpe de Estado contra Zelaya em junho de 2009. Desde então surgiu a FNRP, que ignora o governo de Lobo e exige o retorno de seu líder. Na semana passada, um tribunal de apelações favoreceu Zelaya, que governou entre 2006 e 2009, suspendendo os processos contra ele por corrupção. O argumento jurídico foi o de que ele não teve acesso adequado ao processo, por estar ausente.

Barahona disse que "Zelaya estará aqui quando Lobo cumprir o Acordo de Cartagena das Índias", em alusão ao encontro que Lobo teve no fim de abril com Chávez e o presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Eles concordaram em facilitar o retorno de Zelaya a Tegucigalpa, para permitir que Honduras seja admitida novamente na OEA. Chávez está entre os líderes sul-americanos que resistem a reconhecer a legitimidade do governo Lobo e se opõem ao retorno do país à OEA. Outros com a mesma postura são Brasil, Equador, Argentina e Bolívia.

Radicado na República Dominicana, Zelaya disse ontem que Lobo "não colocou um ponto final em todos os processos contra mim nem cumpriu o acordo de Cartagena das Índias". O acordo tem quatro pontos, segundo Tomé: o fim da perseguição a Zelaya e seus partidários e o retorno destes em segurança ao país, garantias para convocar uma Constituinte, respeito aos direitos humanos e a investigação de possíveis violações e garantias para a FNRP participar da vida política hondurenha e das eleições de 2014 como partido político. Líder máximo da frente, Zelaya quer convocar uma Constituinte para refundar Honduras, a partir da política do socialismo do século XXI impulsionada por Chávez. As informações são da Associated Press.

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