Zelaya diz que não aceita mais acordos para voltar ao poder

Em carta ao presidente Barack Obama, líder deposto de Honduras disse que não vai reconhecer eleiçao do próximo dia 29.

Sergio Acosta, BBC

15 Novembro 2009 | 11h03

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse no sábado que não aceitará mais nenhum acordo para ser restituído à Presidência se isto implicar em "encobrir o golpe de Estado" sofrido por ele em junho deste ano.

"Reafirmo minha decisão de que a partir desta data (sábado), qualquer que seja o caso, eu não aceito nenhum acordo de retorno à Presidência para encobrir o golpe de estado", disse Zelaya em uma carta ao presidente americano, Barack Obama.

A restituição de Zelaya era um dos pontos do pacto firmado em 29 de outubro pelas comissões negociadoras do líder deposto e do presidente interino, Roberto Micheletti.

A decisão sobre a volta de Zelaya ao poder ficaria, segundo o acordo, a cargo do Poder Legislativo, mas o Congresso só decidirá sobre o assunto quando tiver um parecer da Corte Suprema, do Ministério Público e da Procuradoria Geral da República.

O governo interino hondurenho, no entanto, insistiu várias vezes que a restituição de Zelaya não era um elemento essencial do acordo.

'Não podemos respaldar as eleições'

Na carta a Obama, Zelaya acusou os Estados Unidos de mudarem sua posição em relação à crise hondurenha e de tê-lo deixado "no meio de um rio".

"A nova posição do governo americano se esquiva do objetivo inicial do acordo de San José, relegando ao segundo plano um diálogo com o governo legitimamente reconhecido até que um novo processo eleitoral seja realizado e sem se importar com as condições em que o pleito vai acontecer", disse a carta, lida por Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde ele está refugiado desde que voltou ao país em 21 de setembro.

Zelaya, que foi deposto por um golpe de estado em 28 de junho, disse também na carta que não apoiará a eleição de um novo presidente, marcada para o dia 29 de novembro.

"Diante destas condições, não podemos respaldar e vamos agir para impugnar (a eleição) em nome de milhares de hondurenhos e centenas de candidatos que sentem que esta disputa é desigual", disse Zelaya. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.