Zelaya diz que não é otimista quanto às negociações

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, reconheceu ontem que "não é otimista" quanto ao resultado das negociações com o governo de facto, lançadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA). "Apoio porque um democrata apoia o diálogo." Zelaya, que se reuniu na quarta-feira à noite com representantes da OEA, afirmou que eles "estavam sumamente abatidos com a atitude de (presidente de facto, Roberto) Micheletti, que disse que não importava o que resolvesse a mesa de diálogo, se não fosse aprovado pelos outros Poderes ele não teria nenhuma responsabilidade".

AE, Agencia Estado

09 de outubro de 2009 | 08h34

Zelaya voltou a dizer que a ideia de um terceiro assumir a presidência seria "um novo golpe de Estado". Num sinal de seu desconsolo, ele cometeu um ato falho, chamando Maira Mejía, uma das suas representantes no diálogo, de "ex-ministra do Trabalho". A "mesa de diálogo" discutirá não só a solução para o impasse político, "para que se possa realizar as eleições em paz", mas também "uma verdadeira reforma social", disse.

O presidente deposto afirmou que os chanceleres não falaram em sua remoção da embaixada. "A OEA pediu que se garanta minha integridade e das pessoas que me acompanham, assim como a solenidade da investidura (do cargo de presidente)", disse ele. "Logicamente, aqui estamos em condições muito adversas", prosseguiu. "Agradeço ao Brasil o esforço que fez para nos receber com o fim de consolidar a democracia no continente. O presidente Lula deu mostras de que é um democrata."

À pergunta sobre se confiaria em garantias do Exército para se instalar em outro lugar, Zelaya respondeu que "Honduras é signatária de tratados internacionais de respeito aos direitos humanos" e o Estado hondurenho tem obrigação de "respeitar a vida e a dignidade".

Desmentido

O governo de facto de Honduras afirmou ontem que não recebeu nenhum pedido da OEA para que Zelaya possa deixar seu abrigo na Embaixada do Brasil e se instalar em sua casa sem o risco de ser preso durante o processo de negociação de uma solução para a crise. A chancelaria de facto avisou ainda que, se sair da embaixada, Zelaya será preso. Sua única alternativa para sair ileso seria pedir asilo político ao Brasil.

"Uma proposta como essa seria ilegal. Manuel Zelaya tem contra ele uma ordem de prisão da Justiça", afirmou ao Estado a vice-chanceler de facto, Martha Lorena. Mas a proposta existe e foi encaminhada pela OEA, como informaram dois representantes da entidade ao jornal. O objetivo era oferecer a Zelaya melhores condições de acomodação e reduzir o constrangimento diplomático causado pela presença dele na embaixada brasileira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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