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Zelaya: fim do estado de sítio em Honduras foi 'burla'

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, qualificou como uma "burla" o decreto que encerrou o estado de sítio no país, segundo declarações divulgadas no jornal local "La Tribuna". O argumento de Zelaya para a crítica é que ainda seguem fechados meios de comunicação contrários ao governo de facto e permanecem presos dezenas de seus partidários.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

06 de outubro de 2009 | 13h35

O presidente de facto Roberto Micheletti "continua se burlando do povo hondurenho ao manifestar que anula completamente o decreto", afirmou Zelaya, em comunicado lido por um assessor na rádio local. Segundo o líder deposto, ainda estão detidos 38 de seus partidários e duas emissoras seguem fechadas.

Deposto em 28 de junho e expulso do país, Zelaya retornou a Tegucigalpa em 21 de setembro e desde então está abrigado na embaixada do Brasil. Amanhã uma delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) deve chegar a Honduras para tentar fechar um acordo entre o governo de facto e o presidente deposto.

Zelaya afirmou que não desconfia da delegação da OEA, "mas sim dos que hoje estão governando o país". Ele exige que se encerre o cerco militar à embaixada brasileira, a fim de que comece o diálogo. O líder deposto notou ainda que a resistência do regime Micheletti em permitir sua volta ao poder "põe em perigo" a eleição presidencial marcada para 29 de novembro, segundo o "La Prensa".

O presidente eleito pediu que o povo hondurenho resista ao golpe "até que o regime de facto seja derrotado e se retire do poder que deturpou". Zelaya ressaltou, porém, que está disposto a negociar com Micheletti uma solução para a crise.

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