Zelaya garante que voltou a Honduras; governo nega

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou hoje em entrevista por telefone que voltou ao seu país. "Não posso dar mais detalhes, mas já estou aqui", disse Zelaya ao canal 36 da televisão local. "Em alguns minutos concederei uma entrevista coletiva e ali falarei sobre como entrei no território nacional", disse Zelaya. O líder deposto disse estar em Tegucigalpa, capital, em um escritório das Nações Unidas. O ministro da Informação do governo de facto, René Zepeda, qualificou como "mentira" a versão. "Zelaya não está em Honduras, já teríamos nos inteirado de tal situação, que é falsa", rechaçou ele.

AE-AP, Agencia Estado

21 de setembro de 2009 | 14h46

O presidente de facto, Roberto Micheletti, afirmou em entrevista coletiva que sua administração dispõe de "provas de que Zelaya não está em Honduras". Segundo ele, um jornalista local está fazendo "terrorismo midiático para provocar nossa população". Já a ministra de Relações Exteriores hondurenha, Patricia Rodas, afirmou à venezuelana "Telesur" que Zelaya "está em território nacional, logo após entrar pelas montanhas em Honduras". A televisão estatal da Venezuela já havia afirmado que Zelaya voltou ao país e que estaria em um escritório da ONU na capital hondurenha.

Zelaya foi deposto em um golpe militar em 28 de junho. Ele tentava aprovar um referendo para alterar a Constituição do país. Os oposicionistas afirmam que Zelaya buscava na verdade realizar alterações inconstitucionais, a fim de permanecer no poder.

Micheletti havia dito anteriormente que Zelaya não poderia voltar ao país, ou seria processado. O governo interino não obteve, porém, reconhecimento internacional. O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, tentava mediar uma solução entre as partes.

Chávez afirmou que trata-se de um "ato heroico" de Zelaya. "Ele já está em Tegucigalpa, e o povo venezuelano se coloca de pé diante de ti", afirmou. Segundo o líder venezuelano, "agora os golpistas deverão entregar o poder a Zelaya". Uma multidão se reuniu em frente ao escritório da ONU em Tegucigalpa, aguardando o líder. Com informações da Dow Jones.

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