Zelaya pede que Congresso aprove logo sua volta

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu que o Congresso aja "sem jogos sujos" nem demora para restituí-lo ao poder. Ele divulgou em um comunicado dirigido aos hondurenhos e à comunidade internacional que os deputados devem atuar com responsabilidade e agilidade para reverter o golpe de estado e respeitar o "espírito" do acordo Tegucigalpa-San José, firmado na semana passada com o objetivo de encerrar o impasse político no país. "Qualquer interpretação fora deste contexto constituiria uma nova afronta ao povo hondurenho e à comunidade internacional", acrescentou.

AE-AP, Agencia Estado

02 Novembro 2009 | 19h45

O presidente do Congresso de Honduras, José Alfredo Saavedra, informou que os dirigentes da instituição conhecerão ainda hoje as diretrizes do acordo - que, entre outras coisas, encarrega os deputados de decidirem sobre a restituição de Zelaya à presidência. O Congresso foi a instituição responsável por elaborar o decreto que retirou Zelaya do poder em 28 de junho. O governo de facto divulgou em um comunicado que o acordo não obriga o Congresso a debater o tema em uma data específica.

Saavedra, durante uma entrevista à rádio HRN, declarou que distribuiu cópias do acordo Tegucigalpa-San José para os demais dirigentes do Congresso. Segundo ele, "uma vez que tenhamos conhecimento do alcance e da dinâmica deste acordo e que os membros da junta diretiva também tenham esse conhecimento, vamos definir qual rota seguir". O governo de facto afirmou que "o ponto nove (do acordo) é absolutamente claro e não faz referência a uma data fixa para que o Congresso resolva" o tema.

Aproximadamente 200 manifestantes reuniram-se perto do Congresso de Honduras para pressionar os deputados a aprovar o retorno de Zelaya à presidência. Os membros do legislativo estão em recesso. "Queremos que o nosso presidente volte e resolva a pobreza que existe", disse o desempregado Juan Sánchez, 55 anos, que chegou de uma aldeia e não pretende deixar o local "até que as coisas sejam resolvidas".

Zelaya disse no fim de semana que espera voltar à presidência antes de quinta-feira, mesmo dia no qual, segundo o acordo, deve instalar-se em Honduras o governo de reconciliação nacional, que respeitará as eleições presidenciais de 29 de novembro e também transferirá o poder ao vencedor do pleito em 27 de janeiro. O presidente deposto disse a uma rede de televisão que, uma vez de volta ao poder, não fará uma caçada contra seus adversários, como sugeriu o líder do governo de facto, Roberto Micheletti. "Isso me faz rir. É como se o lobo pedisse garantias às ovelhas", afirmou.

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