Zelaya pede que militares não reprimam hondurenhos

O presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya pediu no fim da noite de ontem às Forças Armadas de seu país que "não reprimam mais o povo". O apelo veio à tona horas depois de distúrbios nos arredores do aeroporto da capital Tegucigalpa terem resultado na morte de pelo menos um jovem de 19 anos. "Em nome de Deus, soldados da pátria, policiais, peço-lhes, suplico-lhes, ordeno a vocês: não reprimam mais o povo hondurenho", declarou Zelaya, em entrevista coletiva concedida em San Salvador. "Não apontem seus rifles contra seus próprios irmãos", prosseguiu o líder, deposto em um golpe militar na semana passada.

AE-AP, Agencia Estado

06 de julho de 2009 | 11h15

"Hoje (ontem) atreveram-se a disparar. Uma pessoa jovem faleceu, vítima dos disparos de um criminoso que usa a violência das armas para tirar a vida de um compatriota", afirmou Zelaya, pouco depois de encerrar uma viagem iniciada em Washington e que o levou a sobrevoar o aeroporto de Tegucigalpa. Após a notícia da decolagem, milhares de simpatizantes de Zelaya se dirigiram ao aeroporto na tentativa de receber o presidente. Houve confronto entre manifestantes e soldados. Uma pessoa morreu - informações não confirmadas dão conta de que outra jovem também teria morrido.

O avião de Zelaya não pôde descer em Tegucigalpa porque o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto. A aeronave fez então uma escala em Manágua, na Nicarágua, e depois seguiu para El Salvador. Zelaya viajou acompanhado do presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o nicaraguense Miguel D''Escoto, desafiando uma ordem do governo que assumiu após o golpe para que o avião fosse impedido de entrar em Honduras. Também viajaram com ele a chanceler Patricia Rodas, o embaixador hondurenho na Organização dos Estados Americanos (OEA) Carlos Sosa, dois jornalistas e um guarda-costas.

Um avião levando a bordo a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, o presidente do Equador, Rafael Correa, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, acompanhou a aeronave de Zelaya e desceu em El Salvador.

Hoje pela manhã, em Genebra, na Suíça, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou a morte de uma pessoa nas manifestações. "As autoridades de Honduras e de qualquer outro país devem preservar a vida e a segurança dos civis", afirmou Ban. "Deveria ser permitido aos cidadãos manifestarem suas opiniões sem serem ameaçados." Ele também qualificou como inaceitável o golpe militar por meio do qual Zelaya foi derrubado, assim como qualquer mudança inconstitucional de poder em qualquer lugar do mundo.

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