Eduardo Verdugo/AP
Eduardo Verdugo/AP

Zelaya pede reconhecimento de Lobo e reintegração de Honduras à OEA

Em primeiras declarações após a volta, líder deposto por golpe de Estado diz que a comunidade internacional tem a 'obrigação' de legitimar o atual governo hondurenho, que articulou seu retorno ao país com a mediação de Colômbia e Venezuela

Efe e AFP, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

TEGUCIGALPA - Em suas primeiras declarações após seu retorno a Honduras, no sábado - 1 ano e 11 meses depois do golpe que o tirou do poder -, o ex-presidente Manuel Zelaya vem pedindo à comunidade internacional que reconheça o governo de Porfirio "Pepe" Lobo, num claro sinal de que a crise institucional hondurenha caminha para o fim. Até então, Zelaya trabalhava justamente para evitar a legitimação de Lobo, eleito sob o regime de facto de Roberto Micheletti, em 2009.

Zelaya também agradeceu o sucessor e os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, fiadores do acordo de Cartagena, que permitiu seu regresso ao país. "O acordo permite criar as bases para a reincorporação de Honduras, com pleno direito, à comunidade internacional", disse o ex-presidente. "É recíproco: se o governo e o presidente Lobo reconhecem os direitos democráticos que foram violados, a comunidade internacional tem obrigação de reconhecer o governo do presidente."

Honduras está suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA) desde 4 de julho de 2009, quando a entidade condenou o golpe de Estado que derrubou e expulsou Zelaya de Honduras. O Brasil, que abrigou o líder deposto por quatro meses em sua embaixada em Tegucigalpa, após seu primeiro e clandestino retorno ao país, não reconhece Lobo como presidente, sob o argumento de que as eleições vencidas por ele foram organizadas por um governo ilegítimo.

A OEA deve decidir sobre a reintegração de Honduras na quarta-feira, em uma reunião extraordinária em Washington. O governo hondurenho espera que o retorno seja aprovado.

Zelaya propôs uma aliança nacional para organizar um plebiscito sobre uma constituinte. Ele disse ainda que, com o acordo de Cartagena, as portas da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) estão abertas ao país. Honduras saiu do bloco, capitaneado pela Venezuela, sob o regime de Micheletti.

O ex-presidente também aproveitou um discurso a seus seguidores para criticar os EUA. Segundo Zelaya, Washington boicotou o Acordo de San José-Tegucigalpa, negociado pelo ex-presidente costa-riquenho Óscar Arias, em 2009. O pacto previa o retorno de Zelaya, com a instituição de um governo de unidade que liderasse a transição e organizasse as eleições, sem a alteração da Constituição.

"Os EUA foram ambíguos e começaram a apoiar a ditadura", disse. "Foi injusto o que fizeram com a América Latina ao nos dividir." Com o fracasso do acordo, Zelaya permaneceu na embaixada brasileira até janeiro de 2010, quando obteve um salvo-conduto de Lobo e partiu para o exílio na República Dominicana.

Após a chegada, no sábado, Zelaya reuniu com Lobo. Participaram também o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e os chanceleres da Venezuela, Nicolás Maduro e da Colômbia, María Ángela Holguín. Em comunicado, a presidência hondurenha elogiou "o compromisso de Zelaya com a reintegração do país à comunidade internacional".

"O encontro é um marco histórico para a reconciliação nacional", diz o texto. "Representantes de Nicarágua, República Dominicana, Uruguai, Paraguai, Brasil (o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia), Nicarágua, Argentina, Colômbia, Venezuela e outros constataram a vontade política de Lobo em consolidar a unidade do país.

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