Zelaya prepara 2ª incursão na fronteira de Honduras

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, prepara uma segunda, e simbólica, incursão na fronteira do país, apesar dos apelos de líderes internacionais para que não force um confronto com o governo que está no poder desde o golpe, em 28 de junho. Segundo Allan Fajardo, aliado de Zelaya, neste sábado ele partiu em seu jipe branco para o norte, em direção à fronteira do país. Um par de picapes da polícia da Nicarágua, onde o presidente está refugiado, o acompanhou. Ainda não há informações sobre se, de fato, Zelaya chegou ao território hondurenho.

AP-AE, Agencia Estado

25 de julho de 2009 | 17h19

Ontem, Zelaya atravessou a fronteira e pediu que seus concidadãos resistissem ao golpe e retirou-se, menos de 30 minutos depois de ter colocado os pés no país. O governo interino de Roberto Micheletti prometeu prender Zelaya. Ontem, contudo, na remota fronteira montanhosa, os soldados não se aproximaram do presidente deposto.

Essa primeira incursão de Zelaya irritou alguns líderes internacionais que o estão ajudando a retornar ao país e deixou a crise política em que Honduras está mergulhada mais longe de uma solução. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chamou a atitude de "descuidada", "uma ação que não ajuda a restaurar a ordem democrática e constitucional". O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Jose Miguel Insulza, pediu que Zelaya não volte a seu país sem um acordo com o governo, temendo que tal atitude possa causar um derramamento de sangue. Ontem, centenas de hondurenhos desafiaram o cerco da polícia do governo e foram até a cidade fronteiriça de El Paraíso para expressar seu suporte a Zelaya. Foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo.

Uma delegação de legisladores dos EUA, liderados pela republicana da Flórida Connie Mack, deve chegar hoje a Honduras para discutir a crise com vários líderes. Mack está entre os conservadores que argumentam que a destituição de Zelaya não foi um golpe, mas uma reação legítima diante da tentativa do presidente de fazer um referendo para mudar a constituição.

O governo dos EUA suspendeu mais de US$ 18 milhões em assistência militar e de desenvolvimento. A União Europeia congelou outros US$ 92 milhões que seriam concedidos a Honduras. Mas Zelaya considerou a pressão dos EUA limitada e ineficiente.

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