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Zelaya se diz disposto a encontrar líder interino de Honduras

Em entrevista à BBC, presidente deposto afirma que não há impedimentos para encontrar saída para crise

Pablo Esparza, BBC

21 de setembro de 2009 | 18h57

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, está abrigado na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa. O retorno de Zelaya, nesta segunda-feira, 21, ocorre quase três meses após a sua deposição, em 28 de junho. A BBC entrevistou Zelaya por telefone após a chegada dele ao país. Leia alguns trechos da conversa abaixo.

 

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BBC - Como você chegou em Honduras?

Manuel Zelaya - De maneira pacífica e voluntária. Eu contei com o apoio de diversos setores, mas não posso mencioná-los para que não sejam prejudicados.

Nós viajamos mais de 15 horas, em uma estratégia complexa de transporte e comunicação, atravessamos rios e montanhas até que chegamos na capital de Honduras, onde chegamos nas primeiras horas da manhã.

Nós ultrapassamos todos os obstáculos militares e policiais das estradas daqui, porque esse país foi sequestrado por forças militares.

BBC - Qual é o apoio internacional para o seu retorno?

Manuel Zelaya - Eu estou na embaixada do Brasil. O presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, abriram as portas para mim. Essa forma é útil para que possamos pedir, aqui da embaixada, por um diálogo.

Eu acabei de falar com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, que vir á para cá nas próximas horas. E as Nações Unidas também virão, em uma comissão para iniciar o diálogo para a reconstrução da democracia hondurenha.

BBC - Quais serão seus próximos passos políticos?

Manuel Zelaya - Nós estamos tratando com diversos setores da sociedade e com a comunidade internacional e vamos começar uma abertura, uma comunicação. Depois, virão aproximações diferentes para solucionar o problema de frente.

Infelizmente, os líderes do golpe não consideraram uma solução anteriormente e acho que devemos ultrapassar a parte diplomática.

BBC - Você está planejando se encontrar diretamente com o líder do governo interino, Roberto Micheletti?

Manuel Zelaya - Bom, eu estou disposto a encontrar uma solução para esse processo e se essa solução consistir nisso, estou disposto a fazê-lo. Não há impedimento para que eu busque uma resposta para esse problema.

BBC - Você já estabeleceu contato com as Forças Armadas do seu país?

Manuel Zelaya - Não, ainda não, estou aqui há apenas algumas horas. Não encontramos tempo para fazê-lo.

BBC - Quais seriam as condições para estabelecer um diálogo com os líderes do governo interino?

Manuel Zelaya - Bom, a coisa mais importante é o apoio da população, que é essencial para o início do diálogo.

BBC - Você acha que sua presença em Tegucigalpa pode desencadear mais manifestações?

Manuel Zelaya - Claro, com certeza, nós começamos hoje com mais manifestações. Eu sou um homem pacífico, não gosto de violência e peço às Forças Armadas para que não usem violência contra a população. Não contra a população.

O governo de Micheletti disse que você seria preso se retornasse?

Manuel Zelaya - Não tenho nenhum problema em enfrentar julgamento ou qualquer acusação que queiram fazer. Por isso, eu me entrego a qualquer julgamento porque as minhas mãos estão limpas e minha cabeça erguida. Se não estivessem, eu não teria retornado.

Algumas pessoas consideram a sua decisão de voltar como "irresponsável" porque pode gerar violência... Eu peço a paz e não a violência. É a melhor maneira de resolver problemas. Os problemas devem sempre ser resolvidos pela democracia e não com armas. Se existe alguma coisa que a comunidade internacional pode fazer é pedir para esse tipo de solução e não mais violência.

 

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