Zelaya será preso se voltar a Honduras, diz Micheletti

O presidente designado de Honduras, Roberto Micheletti, disse hoje que, caso o presidente deposto Manuel Zelaya volte ao país, ele será recebido com uma ordem de prisão. "Eu quero dizer a vocês que os Tribunais de Justiça do meu país têm ordens de captura contra ele (Zelaya), porque não cumpriu as leis", afirmou Micheletti, em entrevista à rádio colombiana Caracol. Honduras vive um clima de tensão, com paralisações de professores e o novo governo se esforçando para normalizar o país com um férreo resguardo militar.

AE-AP, Agencia Estado

30 de junho de 2009 | 14h40

Micheletti também defendeu o movimento que o levou ao poder e reiterou que não houve um golpe de Estado, "mas uma sucessão constitucional". Zelaya foi destituído no domingo do cargo por militares, em cumprimento a uma ordem da Suprema Corte do país. A ação foi uma resposta à insistência dele em realizar um plebiscito para mudar a Constituição e permitir sua candidatura à reeleição. Zelaya foi preso em casa e levado a uma base aérea, de onde embarcou para a Costa Rica. Os deputados de Honduras nomearam então Micheletti, líder do Congresso, como novo presidente do país.

Micheletti afirmou que os distúrbios do dia anterior na capital Tegucigalpa tendem a se normalizar. No entanto, a cidade amanheceu sob forte presença de militares, com o caminho até a Casa Presidencial fechado. O novo presidente disse que seu governo estava "sumamente preocupado" pela retirada de embaixadores de Honduras, anunciada por países como Nicarágua e Venezuela, entre outros, e que já havia diálogos com "países amigos", não mencionados, para explicar a versão deles da crise. Segundo Micheletti, até agora todos haviam escutado apenas a de Zelaya.

O novo presidente hondurenho afirmou que ordenou ao ministro de Relações Exteriores, Enrique Orez Colindres, que comece uma ofensiva diplomática para transmitir à comunidade internacional a versão de seu governo. O líder descartou a candidatura à presidência nas eleições previstas para 29 de novembro, porque a reeleição não está permitida pela Constituição.

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