Salwan Georges/WP
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Zelenski acusa Rússia de violar integridade territorial da Ucrânia

Presidente ucraniano fez discurso televisionado após líder russo, Vladimir Putin, reconhecer a independência das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 22h52

KIEV -  O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, acusou a Rússia de violar a integridade territorial de seu país ao reconhecer a independência das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk.

"A Ucrânia descreve inequivocamente as últimas ações da Rússia como uma violação da soberania e integridade territorial de seu Estado. Toda a responsabilidade pelas consequências desta decisão recai sobre os líderes da Rússia", disse Zelenski durante um discurso televisionado nesta terça-feira, 22 (horário local, noite de segunda-feira no Brasil).

Ao mesmo tempo, ressaltou que "as declarações e ações da Rússia"não conseguirão mudar as fronteiras internacionalmente reconhecidas de seu país.

Zelenski ressaltou que a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, pode significar a renúncia unilateral da Rússia aos Acordos de Paz de Minsk e às decisões adotadas com a Alemanha e a França no Formato da Normandia."Isso mina os esforços de paz e destrói os atuais formatos de negociação", lamentou.

Em fevereiro de 2015, os Acordos de Minsk, assinados com mediação francesa e alemã, puseram fim à guerra em larga escala em Donbass e estabeleceram um cessar-fogo entre o exército ucraniano e milícias pró-Rússia que tem sido repetidamente violado.

Nesse sentido, Zelenski denunciou que, com a decisão de hoje, "a Rússia legaliza suas tropas, que estavam nos territórios ocupados de Donbass desde 2014", em referência ao apoio militar encoberto de Moscou ao levante armado na região.

Zelenski também destacou ter convocado com urgência uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, outra da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e uma cúpula do Formato da Normandia.

Além disso, expressou sua confiança em receber apoio claro de seus principais aliados, que já condenaram por unanimidade o reconhecimento russo e anunciaram sanções.

Por fim, disse estar convencido de que o território da Ucrânia está "solidamente defendido", embora quase 150 mil soldados russos estejam destacados em sua fronteira, entre tropas terrestres, marítimas e aéreas, às quais deve agora ser adicionado o contingente enviado por Putin supostamente para pacificar o Donbass. /EFE

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