Ukraine Presidency via AFP
Ukraine Presidency via AFP

Zelenski diz que Ucrânia foi abandonada e afirma que sabotadores russos entraram em Kiev

Em vídeo publicado na internet, presidente ucraniano afirma que não deixará a capital, embora tenha sido marcado como 'alvo nº 1' da Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 22h04

KIEV - O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira, 25 (horário local, noite de quinta-feira no Brasil) que seu país foi abandonado após a invasão russa, acrescentando acreditar que grupos de sabotagem enviados por Moscou entraram na capital, Kiev. 

"Nos deixaram sozinhos para defender nosso Estado", afirmou Zelenski em um vídeo publicado na conta presidencial. "Quem está disposto a lutar conosco? Não vejo ninguém. Quem está disposto a dar à Ucrânia uma garantia de adesão à Otan? Todos estão com medo", lamentou. 

Vestindo uma camiseta, com a barba por fazer e falando em ucraniano, em vez de seu russo nativo, Zelenski disse ter recebido informações sobre grupos de sabotagem. “É por isso que estou pedindo aos cidadãos de Kiev que sejam vigilantes e cumpram as regras da lei marcial”, afirmou. 

Entre os muitos rumores falsos que circulam, disse Zelenski, havia um de que ele havia fugido do país. “Vou ficar na capital”, disse ele, acrescentando que sua família também estava na Ucrânia, mas que ele não poderia divulgar sua localização. “O inimigo me marcou como alvo nº 1, minha família, como alvo nº 2. Eles querem destruir a Ucrânia politicamente destruindo o chefe de Estado”, afirmou.

Zelenski também informou que até o momento 137 ucranianos, militares e civis, foram mortos desde o início da invasão russa, na madrugada desta quinta-feira.

'Decapitar o governo'

Com "superioridade aérea absoluta", o exército russo se aproximava de Kiev, a capital ucraniana, nesta quinta-feira, com a intenção de "decapitar o governo" e substituí-lo por um pró-Rússia, disseram fontes militares ocidentais à Agência France-Presse.

Depois de disparar mais de 160 mísseis contra alvos militares ucranianos, as forças russas avançaram rapidamente ao sul a partir de Belarus e "se aproximaram de Kiev" ao longo do dia, disse um alto funcionário do Pentágono. "Basicamente, têm a intenção de decapitar o governo e instalar sua própria forma de governo, o que explicaria este avanço inicial para Kiev", avaliou.

De acordo com o funcionário, "as defesas aéreas da Ucrânia foram eliminadas e eles não têm mais força aérea para se proteger". "Nas próximas horas, os russos tentarão concentrar uma força avassaladora em torno da capital e a defesa agora recai sobre as forças terrestres e a resistência popular", afirmou.

As tropas russas estarão ao redor de Kiev "em questão de dias, ou amanhã de manhã, no ritmo em que estão avançando", enfatizou o funcionário. "Não resta muito tempo."

Até o momento, a Rússia avançou no território ucraniano em três eixos: ao sul, a partir da Crimeia, até a cidade de Kherson, através do rio Dnieper, ao norte a partir de Belarus até Kiev, ao longo de duas estradas a nordeste e noroeste da capital ucraniana, e ao leste da cidade russa de Belgorod até a grande cidade industrial de Kharkov, segundo estimativas do Pentágono.

O funcionário dos EUA relatou inicialmente 75 missões de bombardeiros e 100 lançamentos de mísseis de vários tipos, incluindo mísseis mar-terra disparados do Mar Negro, mas depois disse que o número de mísseis disparados desde o início da ofensiva russa havia subido para “mais de 160”. "A maioria deles são mísseis balísticos de curto alcance, mas há também mísseis de médio alcance e mísseis de cruzeiro", especificou. "Também lançaram mais paraquedistas sobre Kharkov e estimamos que ainda haja combates intensos" nesta área no leste da Ucrânia, disse.

O Pentágono enviará 7 mil soldados adicionais à Alemanha, informou o presidente americano, Joe Biden, nesta quinta-feira. Eles irão se juntar aos 5 mil já enviados ao país e ao flanco leste da Otan. Contando com os reforços anunciados nesta quinta-feira, os Estados Unidos terão mais de 90 mil soldados na Europa. /AFP e NYT

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.