Victor Ruiz Garcia/AP
Victor Ruiz Garcia/AP

Zeta vira furacão ao se aproximar do Caribe mexicano

Fenômeno deve atingir EUA nos próximos dias, podendo interromper produção local de petróleo

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 18h16

A tempestade tropical Zeta se tornou nesta segunda-feira, 26, um furacão de categoria 1, ao se aproximar do Caribe Mexicano, onde poderá tocar solo na Península de Yucatán, atingida dias atrás pelo furação Delta. 

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) informou em um boletim atualizado que Zeta está 170 km a sudeste da ilha mexicana de Cozumel, com ventos máximos sustentados de 130km/h. 

Não se espera que o Zeta se fortaleça muito mais antes de atravessar a Península de Yucatán. Ele deve provocar fortes chuvas na região, nas Ilhas Cayman e em partes de Cuba nesta terça-feira, 27, provocando possíveis enchentes em áreas urbanas. O furacão deve atingir a costa do Golfo dos Estados Unidos na quarta-feira, 28,  onde pode interromper a produção de petróleo.

O Estado de Quintana Roo, onde estão os balneários do Caribe mexicano, declarou alerta laranja e ordenou a suspensão das atividades de trabalho. Além disso, as autoridades pediram aos moradores e turistas que se refugiem em casa ou em seus hotéis. O transporte marítimo de carga e de passageiros foi suspenso no norte do Estado. O governo também habilitou vários abrigos para quem não se sentir seguro em casa.

A produtora de petróleo BP disse nesta segunda-feira que começou a encerrar a produção em suas plataformas e ativos do Golfo do México antes da chegada do Zeta, após iniciar uma retirada de seus funcionários no domingo. A empresa acrescentou que suas quatro unidades móveis de perfuração offshore também estão adotando medidas para proteger seus poços e garantir que resistam com segurança à tempestade.

"A gente se previne"

Em Cancún, alguns banhistas desfrutavam das últimas horas de praia antes da chegada da tempestade.

Mayra Sánchez, estudante espanhola de 26 anos, disse estar despreocupada com o Zeta, ao afirmar que conhecidos seus lhe disseram que ele não ganharia força.

"Amigos meus me disseram que não é preciso se preocupar, temos de aproveitar cada instante deste lugar maravilhoso, embora não possamos entrar no mar", disse à Agência France Press. 

No centro da cidade, no entanto, os moradores compravam provisões, além de madeira e fita isolante para proteger as janelas. Nos postos de gasolina, carros faziam fila para abastecer.

"A gente se previne com o que dizem. É melhor prevenir porque daquela vez com o [furacão de categoria 5] Wilma, sofremos muito sem água, sem luz, sem ter o que comer", contou Lucía Castro, mexicana residente há 19 anos em Cancún, lembrando do furacão que castigou o balneário em 2005.

Na madrugada de 7 de outubro, o furacão Delta tocou o solo perto de Cancún com categoria 2 (de 5) da escala Saffir-Simpson, sem deixar vítimas, apenas danos materiais.

A passagem de furacões e tempestades representa um novo golpe para estes balneários, que viram cair dramaticamente a chegada de visitantes pela pandemia de covid-19. O turismo representa mais de 8% do PIB do México.

A temporada de furacões 2020 no Atlântico registra recorde de atividade, visto que Zeta já é a 28ª tempestade. Esgotados os nomes previstos para estes fenômenos, os meteorologistas começaram a identificá-los com letras do alfabeto grego. /REUTERS e AFP

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